Fred Magno/O Tempo
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Samarco passa a deter todas as licenças ambientais para retomar operações

Atividades estão paralisadas desde o rompimento da barragem em Marina, em novembro de 2015

Fernanda Guimarães, Mariana Durão e Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2019 | 11h44
Atualizado 25 de outubro de 2019 | 19h01

SÃO PAULO e RIO – A Samarco conseguiu todas as licenças ambientais necessárias para reiniciar suas operações nesta setxa, 25. A companhia recebeu a Licença Operacional Corretiva (LOC) para o Complexo Germano, em Minas Gerais, que foi aprovada pela Câmara de Atividades Minerárias (CMI) do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).

Segundo a Vale, a expectativa é que a Samarco retome suas atividades usando novas tecnologias para o empilhamento de rejeitos a seco. Assim, a extração de minério de ferro em Germano e a pelotização no Complexo Ubu, no Espírito Santo, só vão voltar a ocorrer após a implantação de um sistema de filtragem, com expectativa de conclusão em aproximadamente 12 meses. "Nesse período, a Samarco continuará as atividades de preparação para volta das operações, que inclui a manutenção de equipamentos", informa a Vale em fato relevante. Assim, a Samarco estima a retomada total das suas atividades pra o final de 2020.

Com o processo de filtragem, a Samarco espera poder drenar a parte arenosa do rejeito, que representa 80% do volume total, e assim fazer o empilhamento de forma segura. Os 20% restantes serão depositados na cava Alegria Sul, uma estrutura confinada, o que, segundo a Vale, aumenta a segurança. As obras de preparação em Alegria Sul foram concluídas neste mês.

A Vale ressalta que a Samarco ajustou sua premissas de destinação de rejeitos às mudanças na regulamentação. Isso inclui redução nas capacidades da cava Alegria Sul e de armazenagem de rejeitos em Germano, que é classificada como barragem e será descomissionada.

Com todas estas medidas, a Samarco espera produzir entre 7 milhões e 8 milhões de toneladas de minério por ano. Com o reinício das operações de um segundo concentrador, que pode acontecer em aproximadamente seis anos, a produção atingiria entre 14 milhões e 16 milhões de toneladas por ano. A empresa espera que um terceiro concentrador possa entrar em funcionamento em cerca de 10 anos, e a produção chegaria a um intervalo entre 22 milhões e 24 milhões de toneladas por ano.

Após dois trimestres seguidos de prejuízos por conta do rompimento de sua barragem em Brumadinho, Minas Gerais, a Vale registrou lucro líquido de R$ 6,5 bilhões no terceiro trimestre, alta de 13,7% com relação ao igual período do ano passado. O  resultado reverteu o prejuízo de R$ 384 milhões registrado no trimestre imediatamente anterior. O bom desempenho se deveu ao menor peso de provisões e despesas relativos ao desastre e também, do lado operacional, ao aumento da produção e das vendas de minério de ferro no período.

Dividendos da Vale

A Vale só falará sobre o pagamento de dividendos e o programa de recompra de ações depois do progresso desejado na recuperação de Brumadinho, afirmou  o presidente da mineradora, Eduardo Bartolomeo. O executivo afirmou que logo haverá condições de tratar do assunto. A remuneração aos acionistas foi suspensa desde a tragédia que deixou 251 mortos e 19 desaparecidos em Brumadinho. 

No terceiro trimestre a mineradora conseguiu reduzir sua dívida líquida em praticamente 50%, para US$ 5,321 bilhões. A liberação de US$ 1,8 bilhão bloqueados, a forte geração de caixa e a recompra de bonds emitidos no exterior ajudaram no enxugamento da dívida. Ao fim de setembro, a alavancagem da Vale estava em 0,5 vez, ante 0,9 vez no trimestre imediatamente anterior.

Os números animaram analistas, que já acreditam na retomada do pagamento de dividendos pela mineradora. "A empresa está progredindo rapidamente para zerar a  dívida líquida, o que implica que dividendos robustos podem demorar apenas alguns meses", afirmou o analista do BTG Pactual, Leonardo Correa.

Com discurso mais conservador, o diretor-executivo de Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, disse que se a dívida líquida da companhia for analisada de forma isolada ela é, de fato baixa, mas a mineradora está olhando, neste momento, seu endividamento de forma ampliada. Assim, está considerando as provisões feitas por conta da tragédia de Brumadinho, de US$ 4,7 bilhões. Com isso, o valor chega a US$ 10 bilhões.

A Vale tinha colocado como meta ter uma dívida líquida de US$ 10 bilhões, por considerar esse nível como ótimo. "A provisão também é um passivo e estamos enxergando nosso endividamento de forma expandida, com as demais obrigações. Vamos voltar a falar desse assunto quando as outras obrigações se confirmarem", disse o executivo, em teleconferência.

Em teleconferência com analistas na manhã desta sexta, Bartolomeo disse que a Vale trabalha para ter um portfólio de produtos adequado e que represente a "Vale do futuro", com foco na qualidade de seus produtos. Hoje, destacou, há um descompasso no mercado, com mais oferta de produtos de maior qualidade. A demanda no futuro, frisou, irá crescer, tendo em vista a preocupação crescente com questões ambientais.

O presidente da Vale disse ainda que o resultado do terceiro trimestre mostra que a companhia está no caminho de normalização, após um segundo trimestre de transição. "Estamos sustentando uma forte geração de caixa."

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