Vale pode se tornar sócia da Camargo Corrêa

A Vale está perto de fechar parceria com a Camargo Corrêa para participar da obra da Hidrelétrica de Santo Antônio, se a construtora vencer a disputa hoje em Brasília. Depois de várias conversas no fim de semana com todos os consórcios participantes, a mineradora ficou mais propensa a aceitar as condições da Camargo Corrêa, segundo pessoas ligadas às empresas. Semanas antes, o mercado apontava como mais provável uma parceria entre a Vale e a Odebrecht, que participa de consórcio ao lado de Furnas (ver quadro ao lado).A Vale está interessada em usar para consumo próprio parte dos 30% da energia produzida, que poderá ser destinada ao mercado livre, de acordo com o critério do vencedor. Os outros 70% dos 3.150 megawatts (MWs) gerados deverão, obrigatoriamente, ser destinados às distribuidoras de energia elétrica para atender ao mercado regulado, incluindo consumidores residenciais. Se a parceria se concretizar, a energia do Madeira seria usada em Carajás.Na semana passada, a Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica (Abiape), que representa empresas como Vale, Votorantim, Alcoa e CSN, reclamou da dificuldade das grandes empresas em entrar nos consórcios e também de comprar a energia destinada ao mercado livre."Os consórcios estão sinalizando preços proibitivos. Hoje o MWh está acima de R$ 135 enquanto o preço teto do leilão é de R$ 122", explicou o presidente da entidade, Mário Menel. Ele afirma que, para ter 30% da geração da Hidrelétrica de Santo Antônio, os consórcios estavam exigindo investimento equivalente a 50% da energia. "Está começando a haver uma especulação com a energia do Madeira", avalia o executivo. A Votorantim também estava interessada em participar de algum consórcio ou firmar contrato de compra de energia com os consórcios. Mas até semana passada não havia tido sucesso nas negociações. A expectativa é que, após a realização do leilão de hoje, novas companhias possam aderir ao consórcio que sair vencedor.

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