Vale pretende investir na construção de térmicas a carvão

O diretor de Participações e Novos Negócios da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Murilo Ferreira, afirmou nesta sexta-feira que uma das estratégias da companhia para a geração própria de energia será a construção de usinas térmicas a carvão nas plantas industriais da empresa. A idéia é minimizar os custos de transmissão de energia, um dos pontos mais criticados nesta sexta durante a inauguração da Usina de Aimorés, na região leste de Minas."A nossa estratégia como forma de manter a competitividade das nossas operações, seja minério de ferro, bauxita e alumina, cobre, é minimizar os custos", revelou.Ferreira explicou que o carvão é um produto abundante no mundo todo e poderia ser facilmente adquirido pela companhia. A própria Vale está concluindo as pesquisas minerais para exploração do insumo na região de Moatize, norte de Moçambique. A idéia é que o projeto completo seja apresentado até o final do ano aos acionistas. Ele não quis revelar a estimativa de custo do empreendimento, mas informou que existe interesse forte de organismos multilaterais de fomento que atuam na África em financiar o projeto.Reservas As reservas, conforme o executivo, possibilitariam a exploração de 9 milhões de toneladas de carvão metalúrgico (voltado para as siderúrgicas) e 3,5 milhões de toneladas do térmico. "Os resultados (das pesquisas) têm sido absolutamente convincentes. Nos faz acreditar que teremos todos os elementos para convencer os acionistas para um investimentos desse porte", afirmou.Além da mina de carvão, o projeto inclui a construção de uma ferrovia de 900 quilômetros e um porto de águas profundas. A estimativa é de que o volume de carvão térmico extraído de Moçambique seria suficiente para gerar 2 mil megawatts (MW) de energia.Leilões No caso da energia hidrelétrica a companhia não estuda a participação em novos leilões de concessão. A Vale possui hoje 8 usinas em carteira, das quais seis já estão em operação. A meta é inaugurar a Usina de Capim Branco I, na região do Triângulo Mineiro, com potência instalada de 240 MW, ainda este ano. E em 2007 está prevista a entrada em operação da unidade de Capim Branco II (210 MW).No caso da Usina de Estreito, localizada na divisa do Maranhão com Tocantins, o consórcio empreendedor continua aguardando a licença ambiental. Além da Vale, participam do empreendimento a Alcoa Alumínio, Suez Energy South América e Camargo Corrêa Energia. "Este é um projeto complexo e além da licença ambiental estamos aguardando um acordo social que estabeleça a responsabilidade de todos os empreendedores, para ver se cabe dentro da conta de implantação", concluiu. A Usina de Aimorés foi inaugurada hoje homenageando o ex-ministro Eliezer Batista, tem uma potência instalada de 330 MW e consumiu investimentos de R$ 750 milhões.

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