Vale prevê recuperação de preços

A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, avalia que os preços do seu principal produto devem se recuperar, ficando acima de US$ 70 por tonelada no segundo trimestre e na maior parte do ano, com a saída de mais produtores de alto custo do mercado. "Uma mudança de patamar muito forte não esperamos, mas pode estar na casa iniciada por sete a partir do segundo trimestre", afirmou ontem Murilo Ferreira, presidente executivo da Vale, à Reuters. O preço do minério na China, maior importador global da matéria-prima, está oscilando perto do menor nível desde 2009. Somente em 2014 os preços caíram pela metade. Ontem, o preço à vista da commodity fechou a US$ 62,20 por tonelada, segundo o Steel Index.

REUTERS

11 Fevereiro 2015 | 02h05

O cenário de preços em patamares menores em relação a anos anteriores, que já tirou muitos produtores menos eficientes do mercado, não levará a empresa a realizar baixas contábeis, de acordo com o executivo da mineradora.

Ferreira destacou que a Vale, que tem um dos menores custos do mundo, atua em uma indústria de longo prazo e poderia ser precipitado qualquer medida neste sentido, sem que os preços tenham se estabilizado.

Desinvestimento. Para enfrentar o que vem pela frente, a Vale prepara novos desinvestimentos. "Nós estamos avaliando todas as alternativas, eu sei que alguma coisa vai acontecer em março, mas eu sei também que outras coisas vão acontecer no segundo semestre", disse Ferreira.

Sem dar detalhes, o executivo adiantou que um dos desinvestimentos previstos para 2015 é a venda de navios, no modelo realizado com as chinesas Cosco e Shandong Shipping Corporation. Pelo modelo, a Vale vende o navio juntamente com um acordo de afretamento. A mineradora conta atualmente com uma frota de 34 meganavios do tipo Valemax, sendo que 15 são de sua propriedade.

Metais básicos. Ferreira descartou neste momento a realização de uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de parte da divisão de metais básicos. A medida foi citada pela empresa como uma possibilidade no fim de dezembro, mas para o executivo os preços atuais não estão favoráveis para uma transação.

Ferreira negou ainda a possibilidade de a Vale vender toda a divisão de níquel, após notícias de que o ex-presidente executivo da Xstrata Mick Davis estaria considerando fazer uma oferta pelos negócios de níquel da Vale. "Nós nunca consideramos a hipótese da venda da divisão inteira", frisou o executivo.

O momento, segundo ele, também não é propício para aquisições, devido à falta de consenso para os preços das commodities. No futuro, contudo, buscará ativos de classe mundial de cobre e fertilizantes. 

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