Vale propõe que suas exportações sirvam de lastro para dívida

O presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, propôs hoje ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que as exportações da empresa sirvam de lastro e garantia de pagamento de principal e juros da dívida externa brasileira. Ele disse que se todas as empresas do Brasil assinarem esse compromisso, haveria possibilidade de que o País saísse da classificação de elevado risco para a categoria de investimento ("investment grade"). O empresário fez a afirmação durante o seminário "Reavaliação do Risco Brasil", organizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no hotel Renaissance, em São Paulo.Agnelli, que é também presidente do Comitê de Cooperação Empresarial da FGV, disse que se o Brasil passasse para a categoria "investment grade", de imediato a empresa reduziria o seu custo de capital real em 2,6% ao ano. Com isso, também, segundo ele, a Vale aumentaria o seu valor de mercado em US$ 10 bilhões, o que ofereceria uma capacidade adicional de endividamento de investimentos e geração de emprego. De acordo com o empresário, o dinheiro que hoje é deixado em caixa para manter a liquidez e por precaução de instabilidade seria direcionado para investimentos.O presidente da companhia comentou que o governo deveria se esforçar para conseguir das agências de classificação de risco a nota "investment grade" (país para investimentos), pois isso propiciaria o crescimento da economia e uma arrecadação adicional de R$ 26 bilhões, 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) a ser adicionado para o setor social. O empresário disse que o setor privado está à disposição para colaborar na reavaliação do risco soberano, pois também vai se beneficiar de um custo de capital menor . Ele comentou que não se faz um grande país sem grandes empresas. A manutenção de um Banco Central independente e um persistente e disciplinado equilíbrio nas contas públicas poderão fazer com que "todos os brasileiros ganhem muito", disse Agnelli.

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