Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Vale quer atrair fundos de mineração e asiáticos

Ao entrar no nível mais alto de governança da B3 e anunciar medidas para diluir riscos, mineradora quer novos investidores

REUTERS, Impresso

08 Agosto 2017 | 22h45

Com a ascensão da Vale ao mais alto nível de governança da B3 e diante de novas medidas estratégicas para alavancar resultados, a mineradora acredita ser possível ampliar a base de acionistas, atraindo novos perfis de investidores, como os asiáticos e os fundos mineração e metais.

Segundo Luciano Siani, diretor-executivo de finanças e relações com investidores da mineradora, a Vale é destino certo para investidores do Brasil e de mercados emergentes, mas ainda não é garantida na carteira de quem investe nos principais produtos da mineradora ou dos que atuam na Ásia, onde estão seus maiores clientes. A Vale, que chegou a ter cerca de 500 mil acionistas, quando houve um boom de demanda pela China, tem hoje cerca de 200 mil.

Além de buscar essa pulverização de investidores, em novembro deverá ser apresentado o resultado de uma análise de todos os negócios da empresa, a primeira promessa do presidente, Fabio Schvartsman, que assumiu o cargo em maio.

O objetivo é buscar rentabilidade além do minério de ferro e reduzir fatores de risco atrelados ao negócio. Com a alta exposição à variação de preços do metal, as ações da Vale variam fortemente, de acordo com o valor da commodity. Com o fortalecimento dos demais negócios e a superação de riscos, a ideia é que as ações oscilem menos.

Dentre os planos que devem ser apresentados, está a redução de dívida líquida. A meta atual é reduzi-la entre US$ 15 bilhões e US$ 17 bilhões ao final do ano, ante os cerca de US$ 22 bilhões registrados no fim do segundo trimestre.

Para chegar lá, a mineradora prevê gerar caixa e manter investimentos em queda, após a entrega do seu maior projeto de minério de ferro, em Canaã dos Carajás, que iniciou a operação comercial no início do ano. “Com a imensa volatilidade das commodities, estamos inclinados a trabalhar com níveis de dívida ainda inferiores”, diz ele.

Vendas. Para contribuir com a queda da dívida, haverá a conclusão de desinvestimentos já anunciados e a venda adicional de quatro navios nos próximos meses. Além disso, de acordo com Siani, novos movimentos de fusões e aquisições estão descartados.

“Um dia, se a Vale vier a fazer (fusões e aquisições), certamente será usando as suas próprias ações como moeda, o que aliás é algo que essa reestruturação permite”, diz. Se aplicada atualmente, a medida poderia diluir o bloco controlador. Entretanto, para isso, as ações da Vale precisam ter uma “valorização adequada, o que não é o caso hoje”, afirma.

“Financiar aquisições com dívida, usando o próprio fluxo de caixa, é algo que a gente não pretende fazer.”

Outra mudança anunciada pela empresa é que ela não voltará a investir nos chamados projetos “greenfield”, totalmente novos e que carregam um maior volume de investimentos.

“O mundo não precisa mais de projetos greenfields na maioria das commodities”, diz ele, destacando que expansões de projetos já existentes são mais baratas. Mesmo assim, a empresa será muito criteriosa daqui para frente.

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