Vale quer construir siderúrgica no Pará junto com BNDES

A mineradora brasileira Vale estuda há quase um ano a implantação de uma siderúrgica no Pará em parceria com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), nos mesmos moldes das usinas de placas que está construindo com a siderúrgica alemã ThyssenKrupp no Rio de Janeiro e com a chinesa Baosteel no Espírito Santo. A mineradora publicou em seu site a entrevista concedida ontem pelo diretor de assuntos corporativos, Tito Martins, à imprensa paraense. Segundo o executivo, ainda não há um parceiro estrangeiro para o projeto, que segue em fase de estudos.O executivo destacou que a nova siderúrgica deve substituir a indústria de aço local, que hoje opera com mão-de-obra não registrada e trabalha com carvão ilegal. "Sentimos que era necessário promover uma avaliação para implementar uma indústria de base que pudesse substituir a indústria que estava funcionando de uma maneira ilegal, além de promover o desenvolvimento da região", disse. No ano passado, a Vale adotou uma política agressiva em relação aos produtores de ferro-gusa da região, suspendendo o fornecimento de minério para as empresas que usam carvão ilegal.O executivo destacou que a Vale não está interessada em se tornar um participante do mercado de aço, mas em estimular o consumo de minério de ferro. Segundo Martins, a produção de placas de aço no Brasil em parceria com investidores estrangeiros é estratégica porque os clientes ficam mais próximos das suas operações. "Se houver uma mudança radical no mercado no futuro, é melhor você estar próximo de seus clientes", afirmou.Ao contrário dos outros projetos da Vale nesta área, que começaram com uma parceria e depois partiram para os estudos, a usina no Pará seguirá o caminho contrário. Segundo a Vale, o projeto está sendo criado junto com o BNDES em função das características da região, que é rica em recursos naturais e conta com uma indústria "arcaica". A companhia espera que o governo do Estado e o governo federal assumam o compromisso de superar gargalos ligados a logística e a questão de licenciamento para que a Vale possa atrair um investidor estratégico.

NATALIA GÓMEZ, Agencia Estado

21 de fevereiro de 2008 | 16h42

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