Vale quer explorar o pré-sal

Gabrielli, da Petrobrás, descarta negociação até mudança na lei

Kelly Lima e Mônica Ciarelli, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

Lado a lado para anunciar ontem parceria na exploração de bloco de petróleo e gás natural na Bacia do Espírito Santo - como adiantou o Estado na edição de ontem -, os presidentes das duas maiores empresas do País, José Sérgio Gabrielli, da Petrobrás, e Roger Agnelli, da Vale, mostraram discordância quando o assunto é o pré-sal."Nós vamos querer estar nisso também", adiantou-se Agnelli, mostrando disposição de ingressar em investimentos na área. "Se a Petrobrás for, eu quero estar de bracinho dado, de mãos dadas com a Petrobrás." Já Gabrielli preferiu frear a empolgação: "Não há essa possibilidade", resumiu. Segundo Gabrielli, qualquer composição de parceria está sendo deixada em segundo plano por causa da indefinição do marco regulatório. Desde julho do ano passado, o governo estuda novas regras para a exploração do petróleo e do gás natural na área do pré-sal. As ofertas de novas áreas abaixo da camada de sal foram suspensas nos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP) até que as normas para o setor estejam definidas. Uma das possibilidades estudadas é a de aportar no capital da Petrobrás as reservas ainda não concedidas e contíguas às descobertas já realizadas. "Não está em discussão parceria com a Vale ou com qualquer outra empresa que já não seja sócia da Petrobrás. Isso não tem como ser discutido porque ainda não há um marco regulatório do setor. Nós só vamos pensar sobre isso depois da decisão sobre as novas regras", afirmou Gabrielli.O executivo destacou também que nos planos de investimentos da Petrobrás até 2020 estão programados investimentos de US$ 111 bilhões nas áreas do pré-sal para a produção de 1,8 milhão de barris. Segundo Agnelli, apesar do interesse da Vale, há também expectativa com relação ao marco regulatório. "Estamos aguardando as novas regras", disse, completando que, por enquanto, o interesse no pré-sal "é um interesse de curioso, tudo vai depender das regras". Recém-chegada ao setor exploratório e sem autorização da ANP para se tornar operadora de um campo, a Vale precisa de parcerias para atuar no setor. O interesse da mineradora na área é exclusivamente para suprimento próprio, como já confirmaram seus dirigentes.Agnelli disse que a Vale é uma grande consumidora de gás para suas pelotizadoras, além da possibilidade crescente de substituição do óleo combustível e do diesel, respectivamente em suas usinas térmicas e nas locomotivas. Segundo ele, hoje há um potencial na Vale para o uso de 6,5 milhões de metros cúbicos diários, dos quais apenas 2 milhões estão efetivamente sendo utilizados. "Mas a perspectiva é de aumentar isso em grande proporção."ACORDOA Petrobrás e a Vale confirmaram a parceria para exploração e posterior produção no bloco BM-ES-22, ao norte da Bacia do Espírito Santo. Adquirido pela estatal no leilão da 6ª Rodada da ANP em 2004, o bloco era operado 100% pela Petrobrás e estava sendo perfurado desde março. Na mesma região, a Vale já havia adquirido participações em dois outros blocos de exploração.O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que a companhia pretende investir US$ 260 milhões este ano em suas áreas de exploração de gás natural no País, ante US$ 60 milhões em 2008. Dentro desse valor está incluída a aquisição da parcela de 25% da Petrobrás no Bloco BM-ES-22."Apesar de sermos parceiras em outros blocos, e de a Vale já ter adquirido junto a outras empresas participação em blocos em que a Petrobrás também é sócia, é a primeira vez que as duas empresas fazem uma negociação desse tipo entre elas", afirmou Agnelli.

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