Vale quer Usiminas mais ''''agressiva''''

Mineradora, que está no bloco de controle da siderúrgica, defende a construção de uma nova usina no País

Irany Tereza e Mônica Ciarelli, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

Entre os planos de negócios da Vale para 2008 está a campanha para que a Usiminas - da qual a mineradora passou a integrar este ano o bloco de controle - construa uma nova usina siderúrgica no País. Ao criticar ontem a "timidez" dos investimentos da siderúrgica, o presidente da mineradora, Roger Agnelli, chegou a fazer um contraponto com a Gerdau, que acaba de anunciar investimentos em uma nova planta para produção de chapas grossas de aço.Agnelli, que ontem fez um balanço das atividades do ano, em almoço de confraternização com jornalistas, baseou quase toda a sua exposição nos investimentos da Vale no País, numa espécie de desagravo velado às críticas feitas esta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em passagem pelo Pará, Lula reclamou, na presença da governadora Ana Julia (PT) que a empresa investe muito no exterior e pediu mais iniciativas no País.Agnelli retrocedeu sete anos para listar as aquisições de empresas feitas no Brasil, que somaram US$ 2,429 bilhões, e enfatizou o plano de investimentos de US$ 59 bilhões para os próximos cinco anos, 77% deles no País. Na palestra, comentou que "a lógica da iniciativa privada é diferente da lógica do poder público". Mas evitou confrontos, abordando com cautela as declarações de Lula e frisando que vai analisar de forma "humilde" as críticas do presidente. "Estamos correndo atrás. Fomos buscar e estamos trazendo US$ 17 bilhões em investimentos (estrangeiros para o setor siderúrgico)."O executivo referia-se aos novos projetos siderúrgicos dos quais a Vale participa como minoritária, que foram listados na apresentação. São plantas novas, em parceria com a alemã ThyssenKrupp, a chinesa Baosteel e a coreana Dongkuk. Agnelli criticou, por pelo menos três vezes, a falta de agressividade dos novos projetos da Usiminas, sendo acompanhado pelos demais diretores. "Queremos que a Usiminas faça uma nova siderúrgica. Mas, a decisão não é só nossa", disse o diretor da área de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins.A mineradora detém atualmente 5,9% de participação no capital votante na Usiminas e divide o controle com tradings japonesas que formam o Grupo Nippon (24,7%), as empreiteiras Camargo Corrêa e Votorantim (23,1%) e a Caixa de Empregados da Usiminas (10,1%). O grupo Usiminas reúne duas grandes usinas (Ipatinga e Cubatão) e produz 9,3 milhões de toneladas de aço bruto por ano. Segundo Agnelli, os investimentos da Usiminas têm-se reduzido à manutenção ou reposição de suas operações, mas a empresa poderia criar uma nova usina. "Ela tem condições. A Usiminas é a mais eficiente siderúrgica do País", disse.A apresentação da Vale foi feita na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, que teve um andar inteiro reproduzindo o ambiente de Linhares (ES), onde o grupo tem um projeto florestal. Plantas, exposições de insetos, outros detalhes cenográficos compunham o ambiente onde foram instalados computadores para apresentar um projeto da empresa no Second Life, com plantação virtual de mudas na Amazônia.

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