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Vale reduz volume de investimento em US$ 3 bi

Empresa quer aproveitar crise para baratear custo dos projetos

Mônica Ciarelli e Natalia Gomez, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

A Vale quer aproveitar a retração da economia mundial para baratear seus projetos de expansão este ano. Ontem, em teleconferência com analistas financeiros para comentar os resultados de 2008, o presidente da mineradora, Roger Agnelli, admitiu que, diante da drástica mudança de cenário, será difícil investir US$ 11 bilhões este ano - cifra menor do que os US$ 14 bilhões orçados inicialmente no plano estratégico do grupo. O executivo explica que a economia não virá de cortes de projetos. A intenção é reduzir os custos, a exemplo do que outras empresas, como a Petrobrás, também já anunciaram. Com o agravamento da crise econômica, a demanda mundial por máquinas e equipamentos caiu, o que vem se refletindo em queda nos preços desses produtos. "A depreciação das moedas em relação ao dólar e os preços mais baratos dos equipamentos tornarão os projetos mais baratos", disse Agnelli. O diretor executivo de Finanças da Vale, Fábio Barbosa, lembra que, antes do agravamento da crise, havia um déficit de equipamentos no mundo.Para garantir o fornecimento mais rápido e, com isso, aproveitar o ciclo positivo do mercado, a Vale aceitava pagar um preço adicional para obter o equipamento primeiro. Agora que o cenário mudou, a companhia negocia descontos com fornecedores."Estamos buscando fazer projetos de forma mais barata. Não iremos revisar ou deixar de fazer qualquer projeto já previsto. Vamos preservar nosso programa de investimento", afirmou Barbosa. Mesmo não prevendo mudança em seu portfólio de projetos, Agnelli afirmou que a Vale está disposta a se "reestruturar", se for necessário, para manter a rentabilidade. "Todos estão preocupados com os projetos, e nós também. Mas ninguém vai produzir com preços muito baixos", disse. Segundo ele, a mineradora brasileira não está sozinha no atual cenário de retração econômica e ainda tem a vantagem de estar bem posicionada em comparação aos seus concorrentes. Apesar do lucro de R$ 10,4 bilhões no quarto trimestre anunciado pela empresa, um crescimento de 136% em relação ao mesmo período do ano anterior, as ações da Vale tiveram queda de mais de 7% ontem na Bovespa. A explicação dos analistas é que os investidores preferiram se concentrar no balanço da empresa feito pelos padrões contábeis dos Estados Unidos. Com base nesse critério, a Vale registrou um lucro de US$ 1,367 bilhão no quarto trimestre, uma queda de 46,7% em relação a 2007.CHINASe a demanda chinesa por minério de ferro despencou no quarto trimestre, a situação mudou neste início de 2009. A Vale anunciou ontem que as vendas para o país devem bater recorde no acumulado dos três primeiros meses do ano, alcançando a marca de 30 milhões de toneladas. "Antes da crise, não tínhamos minério para atender todas as necessidades da China", disse Fábio Barbosa.

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