Ricardo Moraes / Reuters
Ricardo Moraes / Reuters

Tragédia de Brumadinho leva Vale a prejuízo de R$ 6,4 bi no 1º trimestre

Segundo empresa, despesas com o rompimento da barragem em Minas Gerais, que resultou em 237 mortes, foi de R$ 17,3 bilhões nos primeiros três meses do ano; mineradora reportou no período o primeiro prejuízo operacional de sua história

Cristian Favaro e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 19h26
Atualizado 10 de maio de 2019 | 10h21

A mineradora Vale teve prejuízo líquido de R$ 6,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano, revertendo o lucro de R$ 5,1 bilhões na comparação anual. No trimestre imediatamente anterior, a empresa havia reportado lucro de R$ 14,5 bilhões. Segundo a companhia, o resultado deveu-se sobretudo aos eventos relacionados à barragem de Brumadinho.

A tragédia na cidade mineira levou a empresa a apresentar o seu primeiro resultado operacional medido por lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) negativo na história, de R$ 2,8 bilhões no trimestre. Esse indicador é utilizado por analistas de mercado para entender quanto a empresa está gerando com suas atividades operacionais, sem contar operações financeiras – e avaliar se a atividade a sustenta ou não.

O rompimento da barragem da mina de ferro Córrego do Feijão, com capacidade para armazenar mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, liberou uma onda de lama que atingiu instalações da empresa, mata, comunidades e rios da região. Foram confirmados, até o momento 237 vítimas fatais, enquanto 33 pessoas estão desaparecidas.

Detalhamento

No balanço, a empresa explicou que o impacto financeiro da ruptura da barragem de Brumadinho no Ebitda do trimestre foi de R$ 17,3 bilhões devido às “provisões para os programas e acordos de compensação/remediação (R$ 9,3 bilhões); provisão para descomissionamento ou descaracterização de barragens de rejeito (R$ 7,1 bilhão); despesas incorridas diretamente relacionadas a Brumadinho (R$ 392 milhões); volumes perdidos (R$ 1,1 bilhões); despesas de parada (R$ 605 milhões); outros (R$ 469 milhões)”.

Os gastos mencionados ocorreram apenas no primeiro trimestre, e a companhia diz que não é possível avaliar futuros desembolsos. “No estágio atual das investigações, apurações das causas e possíveis ações de terceiros contra a Vale, não é possível determinar todos os custos que podem ser incorridos em decorrência do evento”, cita o balanço do primeiro trimestre. “Portanto, os valores divulgados no resultado do trimestre levam em consideração a melhor estimativa da administração e consideram os fatos e circunstâncias conhecidos até momento”.

A alavancagem da Vale voltou a crescer no primeiro trimestre de 2019, voltando a ficar em 1 vez a geração de caixa (medida pelo Ebitda), mesmo patamar que exibia ao fim de março de 2018. Em dezembro do ano passado, o índice estava em 0,6 vez a geração de caixa.

Contrariando expectativas

O prejuízo da companhia veio na contramão do que os analistas consultados pelo Estadão/Broadcast esperavam. A expectativa das sete casas consultadas apontava para lucro líquido de US$ 1,86 bilhão no primeiro trimestre de 2019. Entre as casas consultadas, estão BTG, Itaú BBA, Morgan Stanley, Safra, XP, Bradesco BBI e BB Investimentos.

Vale destacar, entretanto, que diante das incertezas em calcular os resultados, as casas não consideraram provisões relacionadas ao rompimento da barragem de Brumadinho.

A receita, que somou US$ 8,203 bilhões de janeiro a março de 2019 (ou R$ 31 bilhões, na moeda brasileira), ficou 10,25% inferior à média das expectativas, de US$ 9,14 bilhões.

Após analisar o balanço da Vale do primeiro trimestre, a auditoria PricewaterhouseCoopers alerta que, apesar de a mineradora ter feito provisão bilionária para gastos relacionados à tragédia de Brumadinho, os valores “deverão ser revistos e poderão vir a ser ajustados de forma significativa”.

A auditoria reconhece que os valores incluídos no balanço foram calculados com base “nas suas melhores estimativas e premissas”. Mas diz que “em decorrência da natureza e das incertezas inerentes a esse tipo de evento, os valores reconhecidos e/ou divulgados deverão ser revistos e poderão vir a ser ajustados de forma significativa.”

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