Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Vale reverte prejuízo e tem lucro de R$ 6,3 bi no 1º trimestre

Resultado é explicado pela recuperação do preço do minério de ferro e pela queda do dólar, que alivia a dívida da mineradora

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2016 | 07h45

SÃO PAULO - A mineradora Vale reverteu prejuízo e apresentou lucro líquido de R$ 6,3 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O lucro é explicado, além da recuperação do preço do minério de ferro no mercado internacional, pela valorização do real em relação ao dólar, o que beneficia a dívida denominada em dólar da empresa.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 7,685 bilhões, crescimento de 66% na relação anual e de 43% na trimestral. A receita operacional líquida, por sua vez, chegou a R$ 22,067 bilhões, aumento de 22% na relação anual, mas recuo de 3% ante os três meses imediatamente anteriores. 

O diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da mineradora, Luciano Siani, afirmou em vídeo publicado no site da companhia que a Vale entra no segundo trimestre com bastante otimismo, visto que o período ainda é de recuperação de preços. "Mas não iremos baixar a guarda e continuaremos trabalhando para aumentar sua competitividade, concluir o nosso principal projeto, o S11D, e, portanto, reduzir a nossa dívida e voltar a pagar dividendos generosos aos nossos acionistas", destacou o executivo.

Ferro. As vendas de minério de ferro e pelotas da Vale nos três primeiros meses do ano somaram 74,277 milhões de toneladas, aumento de 0,9% em relação ao volume de um ano antes. A China foi destino de 57,8% das vendas da mineradora, ante uma fatia de 50,1% no mesmo período de 2015. 

"Espera-se que a demanda de minério de ferro continue forte no segundo trimestre enquanto os estímulos do governo chinês continuem a ter efeito", destaca a companhia no relatório que acompanha o demonstrativo financeiro. A Vale cita que - apesar da expectativa de aumento da oferta de minério de ferro ao longo de 2016, devido à sazonalidade de retomada de maiores embarques no segundo trimestre - a exaustão maior do que esperada nas minas também deve contribuir com uma parcela importante para o balanceamento do mercado.

Ainda no primeiro trimestre do ano os preços do minério de ferro apresentaram recuperação, fato que ajudou no resultado da companhia no período. "O preço maior que o esperado do minério de ferro decorre de melhores indicadores econômicos vindos da China", explica a companhia.

O preço CFR referência em base seca de finos de minério de ferro da Vale aumentou em US$ 9,6/t, passando de US$ 45,1 a tonelada no quarto trimestre do ano passado para US$ 54,7 a tonelada no primeiro trimestre deste ano. Já o preço CFR/FOB  de finos de minério de ferro da Vale  aumentou em US$ 9,3 a tonelada passando de US$ 37,2 a tonelada no quarto trimestre do ano passado para US$ 46,5 a tonelada no primeiro trimestre deste ano.

Custo. O custo dos produtos vendidos (CPV) da Vale no primeiro trimestre do ano chegou em US$ 4,249 bilhões, um recuo de 17,78% em relação ao anotado no mesmo trimestre do ano passado. Ante o trimestre imediatamente anterior, houve uma queda de 17%.

A companhia destacou, no documento que acompanha o seu demonstrativo financeiro, que a queda do CPV é explicada pelos menores volumes de vendas, iniciativas de redução de custos em todos os negócios e variações cambiais.

Já as despesas totais da Vale no primeiro trimestre do ano caíram 40,6% na relação anual, para US$ 460 milhões no primeiro trimestre deste ano. As despesas administrativas, por exemplo, foram para US$ 107 milhões no primeiro trimestre, recuo de 37% em relação ao visto no mesmo período do ano passado.

Dividendos. O presidente da Vale, Murilo Ferreira, evitou dar uma data para a retomada do pagamento de dividendos aos acionistas da mineradora. Questionado por analistas sobre as métricas a serem alcançadas para a retomada da remuneração, já que teve bom resultado no primeiro trimestre, ele afirmou que a prioridade da companhia no momento é a prudência em relação ao balanço, disciplina na alocação de capital e redução da dívida líquida.

"É um pilar básico da nossa gestão essa prudência em relação ao balanço", disse Ferreira. A Vale acaba de aprovar em assembleia uma nova política de dividendos, pela qual deixou de antecipar o valor a ser pago no ano em curso. Ferreira lembrou que a Vale chegou a pagar US$ 9 bilhões em dividendos em 2011, primeiro ano de seu mandato, e que os pagamentos generosos aos acionistas continuam sendo um objetivo. A ideia é remunerar o acionista, mas isso depende do ritmo da conclusão de projetos e desinvestimentos.

"Vamos trabalhar firme e forte no segundo trimestre para reduzir o endividamento. Em momento de flexibilidade financeira, retornaremos com o pagamento para o acionista", disse.

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