Vale tem prejuízo de R$ 4,761 bi no 4º trimestre de 2014

No ano passado, a mineradora apresentou lucro líquido de R$ 954 milhões, alta de 730% em relação a 2013

O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2015 | 07h40

Apesar de a produção bater recorde em 2014, a mineradora Vale registrou prejuízo líquido de R$ 4,761 bilhões no quatro trimestre do ano passado ante prejuízo de R$ 14,867 bilhões no mesmo período de 2013, informou a empresa nesta quinta-feira, 26. Em 2014, a companhia registrou lucro líquido de R$ 954 milhões, alta de 730% ante os R$ 115 milhões vistos em 2013. Mesmo assim, o resultado positivo não superou o lucro de 2012, que ficou em R$ 9,892 bilhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) ajustado da companhia, importante indicador da geração de caixa, somou R$ 5,572 bilhões no quarto trimestre, ante R$ 15,154 bilhões no mesmo período de 2013, diante da forte queda nos preços internacionais do minério de ferro, o principal produto da empresa.

A maior produtora de minério de ferro do mundo registrou preço médio de venda do minério de ferro (fino) de US$ 61,57 por tonelada no quarto trimestre de 2014, ante US$ 118,77 por tonelada no mesmo período de 2013. 

Em dólares, o prejuízo líquido de US$ 1,849 bilhão referente ao quarto trimestre do ano veio maior do que a média das projeções de seis instituições financeiras consultadas pelo Broadcast, da Agência Estado (Bank of America Merrill Lynch, Citi, Goldman Sachs, Itaú BBA, JPMorgan e Votorantim Corretora), que esperavam perdas de US$ 740 milhões para o período.

Crise. No quarto trimestre a Vale apresentou recorde de produção de minério de ferro para o período, mas o feito não foi suficiente para amortizar o tombo dos preços do insumo no mercado internacional. No intervalo de outubro a dezembro de 2014, a produção própria da mineradora ficou em 82,973 milhões de toneladas, expansão de 2,1% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

Por conta do atual cenário para o minério de ferro, em que se espera que os preços depreciados se mantenham ao menos no curto prazo, a expectativa do mercado em relação da Vale gira e torno de qual será a estratégia da companhia para superar o período em que o fluxo de caixa livre pode ser negativo, fato que, se confirmado, pode elevar a alavancagem medida pelo indicado dívida líquida sobre o Ebitda para níveis preocupantes, segundo analistas de mercado.

Um dos caminhos, já anunciado pela mineradora, será a venda de ativos não estratégicos. Entre os ativos que se espera que sejam desinvestidos pela Vale, além eventualmente da fatia da unidade de metais básicos via um IPO, estão os da área de fertilizantes, venda dos navios Valemax, venda de uma fatia da MRS, a MRN, de bauxita, e a PTVI, na Indonésia.

(Com informações da Agência Estado e da Reuters)

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