Vale tem reforço de US$ 1 bi

Recursos de captação deverão acelerar investimento

Mônica Ciarelli, RIO, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

O reforço de caixa de US$ 1 bilhão da Vale, obtido com a captação feita esta semana, tem como objetivo acelerar investimentos da mineradora. O tema investimentos, aliás, ocupou o centro da conversa do presidente da Vale, Roger Agnelli, com o presidente Luis Inácio Lula da Silva, anteontem, em Brasília.

Foi exatamente a pisada no freio no programa de investimentos da Vale este ano, com corte de US$ 5 bilhões, que causou desconforto no governo e elevou o tom das reclamações do presidente Lula. A Vale reduziu o ritmo dos empreendimentos diante do cenário de forte retração na demanda mundial por insumos básicos, como o minério de ferro.

No encontro, segundo fontes, Agnelli quis mostrar que nenhum projeto de expansão da companhia foi engavetado e que a Vale "é hoje a empresa privada que mais investe no Brasil", discurso que vem repetindo à exaustão.

Os investimentos no setor siderúrgico, preocupação do governo, também estão sendo acelerados nas últimas semanas. Para garantir o fim das obras da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), a Vale gastou US$ 1,3 bilhão para aumentar sua participação no projeto feito em parceria com a alemã ThyssenKrupp.

Com a captação desta semana, a mineradora conseguiu repor ao caixa quase todo dinheiro gasto na CSA. Além dessa siderúrgica, a Vale decidiu ainda tocar sozinha a construção de uma usina no Espírito Santo e no Pará. Mostrar que a Vale recuperou fôlego e vai continuar investindo no País é fundamental, segundo fontes, para evitar que o governo apoie uma eventual mudança no bloco de controle da mineradora.

INVESTIDA

A possibilidade independe da suposta investida do empresário Eike Batista, que tentou adquirir a fatia da Bradespar na Valepar, holding que controla a mineradora. Hoje, o bloco de controle da Vale é formado pela Bradespar (21,21%), pelo consórcio Litel formado por fundos de pensão liderados pela Previ (49%), pelo BNDESPar (11,51%), pela Mitsui (18,24%) e a Electron (0,03%).

O fundo de pensão do Banco do Brasil, que detém a participação mais representativa, indicou o presidente do conselho da mineradora, Sérgio Rosa, que também preside a própria Previ. A Bradespar, segunda maior participação, colocou na presidência executiva da empresa Roger Agnelli.

O alinhamento entre Previ e BNDESPar representa uma participação de 60,5% do bloco de controle. Um grupo que só não pode ser identificado integralmente como "governo" porque a Previ, patrocinada pelo banco estatal, é um fundo privado de direito, que adota gestões profissionais nas empresas que controla. Mas, é natural que a posição do governo assuma importância nada desprezível. E, nos últimos meses, têm se tornado comuns as queixas, às vezes sutis e outras nem tanto, do presidente Lula.

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