Vale vai acelerar produção de minério ferro e níquel

A revisão nos investimentos da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) anunciada na quinta-feira, 26, visa acelerar a produção de minério de ferro e níquel, afirmou nesta sexta o presidente da mineradora, Roger Agnelli. Segundo ele, a demanda pelos dois produtos continua forte como foi identificado durante uma visita a vários países da Ásia no mês passado. A companhia anunciou na noite de quinta uma revisão em seu orçamento, que significará um acréscimo de mais de US$ 1 bilhão no plano de investimentos do grupo para este ano. Segundo Agnelli, desse aumento, US$ 700 milhões estarão voltados para projetos nessas áreas. A mineradora pretende agora investir US$ 7,351 bilhões, ou seja, quase R$ 15 bilhões, certamente uma das maiores cifras de empresas nacionais para custear empreendimentos. De acordo com o presidente da empresa, o montante é um dos três maiores da indústria mundial de mineração. Para atender ao aumento da demanda, a Vale decidiu elevar os investimentos em alguns projetos considerados chave como o Goro da Nova Caledônia (território francês no Oceano Pacífico), cujo orçamento será de US$ 3,2 bilhões. Parte dos recursos será destinado a resolver questões ambientais na Nova Caledônia. A mineradora brasileira usou tecnologias já empregadas em sua subsidiária Alumina do Norte do Brasil S.A. (Alunorte) para o projeto. Produção Agnelli explicou que a produção de minério de ferro da companhia aumentará de 270 milhões de toneladas em 2006 para 300 milhões de toneladas em 2007 e "queremos em 2008 ir para cima de 330 milhões". Segundo o executivo, a idéia na área de ferrosos é acelerar os projetos para atender às necessidades dos clientes em volume e em qualidade. Ele citou que a China continua em trajetória muito forte de crescimento e é preciso atender a esse cliente para respeitar um relacionamento de longo prazo. Agnelli disse também que a companhia tem recursos grandes de ferrosos para serem explorados em Carajás e Minas Gerais, com objetivo de aumentar a produção de minério de ferro. Segundo o executivo, a demanda por minério de ferro e níquel está forte em todo o mundo, inclusive no Brasil, e deve continuar crescendo de forma consistente no mercado mundial em 2008. No cronograma da mineradora, o projeto de Goro entra em operação no final de 2008. A Vale pretende ainda acelerar a entrada em operação de outro projeto de níquel, a mina de Onça Puma (PA) para o começo de 2009. Logística Na área de logística, a empresa está "modelando iniciativas" para garantir o transporte marítimo do minério de ferro do Brasil para a China e outros países da Ásia. Segundo Agnelli, a companhia está "conversando com estaleiros" para construção de navios de grande capacidade "para manter a competitividade da Vale no mercado chinês". O orçamento de investimentos da empresa para 2007, em logística, foi elevado em US$ 64 milhões. A companhia deverá aumentar também a utilização de carvão para produção de energia, segundo o presidente. "Avaliamos a possibilidade de aumentar o uso do carvão para produção de energia através de termelétricas", disse ele, que sublinhou que a empresa quer implantar projetos de usinas hidrelétricas e térmicas "o mais rápido possível, para possivelmente até 2010 produzir energia". Agnelli lembrou que, na próxima semana, será inaugurada a segunda fase da hidrelétrica de Capim Branco, em Minas Gerais e afirmou que "estamos dando" prioridade" ao projeto de Estreito, usina que estará localizada no rio Tocantins. A usina estará localizada entre os municípios de Aguiarnópolis e Palmeiras do Tocantins, em Tocantins, e Estreito, no Maranhão. Câmbio Agnelli explicou que os cerca de US$ 300 milhões restantes no aumento de investimentos são resultado do impacto da valorização do real em relação ao dólar. Ele explicou que os projetos da empresa têm um componente nacional forte em quesitos como terraplenagem, que são pagos em reais. No ano passado, a empresa tinha uma estimativa de que o dólar estaria em torno de R$ 2,20 a R$ 2,18 em 2007, e a queda adicional ocorrida na cotação representou um aumento de custos da ordem de US$ 300 milhões. Segundo Agnelli, a situação financeira da Vale "é muito forte e tranqüila". A realidade da CVRD-Inco hoje é muito melhor "do que achávamos quando fizemos a aquisição (da Inco), o mercado está muito demandado e os preços recordes", disse. Desistência A Vale acrescentou que pode desistir de construir uma siderúrgica no Maranhão em parceria com a Baosteel, caso o governo local estabeleça como moeda de troca para a concessão de licença ambiental a implementação do projeto no município de Bacabeira. A mineradora quer instalar o pólo siderúrgico na Ilha de São Luís, onde já existem terminais para o desembarque do carvão e a ferrovia para a chegada do minério de ferro. "Temos que buscar o melhor lugar para implementar um projeto de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões", afirmou o presidente da mineradora, Roger Agnelli. Segundo ele, encontrar bons locais para a construção de plantas siderúrgicas é difícil. Isto porque, para que o preço das placas seja competitivo no mercado internacional, é preciso ter baixos custos. A logística em torno do local escolhido é fundamental para definir esse custo. Matéria ampliada às 18h21

Agencia Estado,

27 Abril 2007 | 13h03

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