Vale vai buscar relação 'construtiva e aberta' com o governo, diz Ferreira

Novo presidente da empresa assume o cargo dizendo que é possível encontrar um consenso entre os interesses da empresa e os do País; garantiu também que vai manter o plano de investimentos de US$ 24 bilhões previsto para este ano

Mônica Ciarelli, Sabrina Valle e Chiara Quintão, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

O novo presidente da Vale, Murilo Ferreira, fez ontem sua primeira aparição pública a frente da mineradora. Ao lado de dois representantes do bloco de controle da Vale (Previ e Mitsui), Ferreira adotou um tom conciliador ao falar sobre a relação da empresa com o governo, desgastada no fim da gestão Roger Agnelli.

"Queremos uma relação com o governo aberta, franca e construtiva. É interesse de todas as partes que isso ocorra de forma muito boa", disse. Também presente ao evento, o presidente da Previ e do conselho de administração da Vale, Ricardo Flores, aproveitou para descartar uma maior ingerência do governo na empresa. "Nós vamos atuar dentro do nicho importante para a Vale. Ela é uma empresa privada", disse.

Além de Flores, Ferreira foi acompanhado também pelo representante da japonesa Mitsui, Oscar Camargo. Além do fundo de pensão e da Mitsui, também fazem parte do bloco de controle, a Bradespar e o BNDES. A primeira entrevista do executivo à imprensa foi concorrida. Quase toda a diretoria executiva estava presente ao evento.

"A convergência de ideias entre os sócios da Vale é total. Temos convicção que a harmonia é importante para a construção de bons resultados", garantiu.

Político ao tratar de temas polêmicos, o executivo revelou que pretende buscar uma postura de entendimento e diálogo na discussão com o governo federal. Segundo ele, é possível encontrar um consenso entre os interesses da Vale e do País. "Acho que as coisas não são incompatíveis", disse. No entanto, Ferreira pondera que existem "situações e situações", e que é preciso analisar caso a caso.

No caso do novo marco regulatório do setor, por exemplo, o novo presidente acredita que o importante é preservar a competitividade da indústria de mineração. Os prefeitos de cidades mineradoras querem elevar o atual porcentual de royalties pagos pelas companhias no País. No minério de ferro, a alíquota é de 2%.

Ferreira também quer usar o diálogo para solucionar uma pendência com o governo em torno do pagamento de royalties. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) cobra uma dívida de US$ 4 bilhões relativa aos royalties sobre o minério extraído das minas no complexo de Carajás, no Pará.

"Vamos conversar muito. Eu sou mineiro, da terra do Tancredo", disse, ao lembrar que o objetivo será encontrar um ponto comum de interpretação nos documentos legais que dispõem sobre a cobrança. Apesar de acenar com uma bandeira branca, o executivo deixou claro que cabe à Vale defender seus interesses.

Sobre as empreitadas da empresa no ramo de siderurgia, o novo presidente não acenou com nenhuma mudança de rota. "A Vale é uma mineradora", pontuou. Nos últimos anos, o governo vinha cobrando mais investimentos no setor, tema que também contribuiu para o desgaste Agnelli.

Futuro. Ricardo Flores garantiu que o plano de investimento da companhia e o orçamento de US$ 24 bilhões para este ano estão mantidos. Grande entusiasta da palavra crescimento, Murilo Ferreira revelou ser ambicioso e que tem o sonho de transformar a Vale na maior mineradora do mundo. "O planejamento estratégico da empresa, assim como seu orçamento de 2011, estão mantidos. Que não haja nenhuma dúvida sobre a continuidade. Vamos fazer o nosso maior esforço para cumprir."

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