Vale vê preços mais baixos para o minério

Segundo presidente, plano de investimentos será monitorado todas as semanas e projetos poderão ser adiados

SÃO PAULO, RIO, / FERNANDA GUIMARÃES, SILVANA MAUTONE, DE SÃO PAULO, MÔNICA CIARELLI, DO RIO, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h05

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse ontem que a companhia está trabalhando com um cenário de preços de minério de ferro "menores do que os esperados" nos próximos meses. A declaração veio um dia depois de a mineradora anunciar uma queda de 48% no lucro do segundo trimestre, para R$ 5,3 bilhões.

A empresa trabalhou com um preço médio para o minério de ferro no segundo trimestre de US$ 103,29 por tonelada, valor quase 29% inferior ao negociado entre abril e junho de 2011. Segundo o diretor de Ferrosos e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, os preços do minério no mercado à vista estão hoje pouco abaixo de US$ 120.

Para Martins, do ponto de vista macroeconômico, ainda há dúvidas sobre o crescimento chinês - o executivo disse que ainda existe um "grau de incerteza" em relação à performance da segunda maior economia do mundo, apesar de dados recentes mostrarem que o crescimento continua forte no país. Ele afirmou que a Vale acompanha de perto o quadro europeu, situação para a qual espera uma "solução palatável".

O diretor da Vale declarou que a empresa está "moderadamente otimista" em relação aos preços de seu principal produto, prevendo que a cotação do minério de ferro varie de US$ 120 a US$ 180 nos próximos meses.

Investimentos. Murilo Ferreira afirmou também que a Vale irá monitorar semanalmente o seu programa de investimentos por conta do cenário desafiador do mercado.

Martins explicou que os dispêndios da mineradora programados para este ano "dificilmente ocorrerão com a atual taxa de câmbio". Por essa razão, a empresa passa por um momento de ajustes de seu orçamento. Por outro lado, o presidente da Vale salientou que "não haverá nenhum movimento abrupto" e que nenhum projeto em fase final será interrompido.

A Vale já alterou prazos e valores de alguns investimentos. O orçamento do projeto CLN 150 Mtpa, que amplia a capacidade da Ferrovia de Carajás, no Pará, subiu de US$ 3,477 bilhões para US$ 4,114 bilhões. A Vale também revisou seu plano de construção de uma usina de pelotização no Espírito Santo. O investimento para Tubarão VIII passou de US$ 968 milhões para US$ 1,088 bilhão. A entrada em operação foi adiada do segundo semestre deste ano para o primeiro semestre de 2013.

A Vale refez também o orçamento para o projeto de cobre Salobo. A nova meta é gastar US$ 2,507 bilhões, acima dos US$ 2,337 bilhões programados inicialmente.

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