Vale vê 'trabalho pesado' para atingir meta em ferro até 2012

A Vale, maior produtora de minério deferro do mundo, terá dificuldades para alcançar sua meta deprodução da commodity para 2012, estimada em 450 milhões detoneladas por ano, afirmou o diretor de Finanças da empresa aanalistas nesta sexta-feira. A Vale deve produzir 330 milhões de toneladas em 2008, altade 11,5 por cento ante 2007. "Nossa meta é de 450 milhões em dezembro de 2012, mas temsido um trabalho pesado", afirmou o diretor Fábio Barbosa,explicando que há desafios em "todas as frentes", que vão desdeo licenciamento ambiental até o aumento de custos dosequipamentos, em função da elevada procura por máquinas. Ele citou ainda alguns "atrasos" no processo visando oobjetivo de longo prazo, mas disse que eles não compremetem ameta, que "desde o início é extremamente desafiadora". O executivo lembrou ainda que a meta está bastante ligadaao projeto de Serra Sul, no Pará, o maior da Vale atualmente,com previsão de entrar em operação em 2012. Serra Sul, com investimentos previstos em 10 bilhões dedólares, vai produzir inicialmente de 60 a 70 milhões detoneladas de minério de ferro por ano. Segundo Barbosa, além do aumento de custos dosequipamentos, em um mercado extremamente demandante porminério, os investimentos ficaram mais elevados com a queda dodólar mundialmente, especialmente com a apreciação do realfrente à moeda norte-americana. Sobre custos, ele acrescentou que "esta é uma área que nãodevemos esperar grandes vitórias." "Serra Sul, um projeto greenfield, estamos falando em umcusto cinco a seis vezes maior do que era o custo de um projetosimilar há cinco anos", declarou ele. O diretor destacou, no entanto, que a Vale está ampliandosua exposição ao ciclo de alta nos minérios por avaliar que ademanda, especialmente da China, continuará forte. A implementação dos projetos previstos permitirá umcrescimento médio anual da produção da Vale, em todos osprodutos, de 10,9 por cento, entre 2008 e 2012, contra 11,6 porcento entre 2003 a 2007. "É um crescimento similar até 2012, sóque sobre uma base muito maior." O diretor da Vale, que já negociou seus contratos defornecimento de minério de ferro com altas de 65 a 71 por centopara 2008, observou que há uma queda nos valores no mercado"spot" (à vista) na China, em função de um grande acúmulo doproduto nos portos chineses, algo que tem se refletido nosfretes mais baixos para transporte da commodity. "No curto prazo, talvez tenhamos um mercado mais fraco. Poroutro lado temos enfrentado problemas de produção... invasõesdiversas (como as da Via Campesina), a China continua crescendoe qualquer interrupção no transporte causa dificuldade", disse. NÍQUEL, COBRE A Vale, que se diversificou em 2006 com a compra dacanadense Inco, grande produtora de níquel, avalia que a quedapela metade dos preços da commodity, após recordes registradosem 2007, ocorre em função de um aumento da oferta, querespondeu às elevadas cotações. Mas, na opinião de Barbosa, essa oferta não deve trazer ospreços aos patamares mais baixos do passado. "Acho que houve um ajuste da demanda em função da mudançade patamar de preços, os estoques estão mais elevados... é umconjunto de fatores, mas isso não invalida a tese de que houveuma mudança de patamar de preço a longo prazo." Da acordo com Barbosa, quando a Vale comprou a Inco o preçode longo prazo estimado pela companhia era de 8 mil dólares portonelada, contra os atuais 24,7 mil na bolsa de Londres. Orecorde, registrado em maio de 2007, foi de 51,8 mil dólares. Os bons preços do setor, acrescentou Barbosa, tambémpermitem que a Vale sonhe com um projeto de Salobo 2. "Masdiria que é um sonho, não temos definição formal", disse ele aoresponder pergunta de um investidor sobre o projeto de cobre. Um eventual Salobo 3, ele disse se tratar de algo "maisdifícil". A mina de Salobo, no Pará, começa a produzir a partir de2010, e a previsão é de que a produção atinja 100 mil toneladasanuais. Sobre a oferta pública primária de ações [ID:nN10342502],anunciada nesta semana, o diretor afirmou que não poderia fazercomentários adicionais, para respeitar a legislação. "Osrecursos se destinarão a fins corporativos gerais, mas nãoposso especificar." (Edição de Denise Luna )

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