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Vale vende minério pelo preço à vista

Crise leva mineradora a cobrar valor abaixo do fixado nos contratos

Irany Tereza, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

A crise mundial, que já fez a Vale oferecer desconto provisório de 20% aos clientes, cortar investimentos em U$ 5,2 bilhões este ano, e dispensar, em outubro do ano passado, 1.300 funcionários, empurrou a empresa, desde março, para as incertezas de preço do mercado à vista (spot). Por pressão principalmente das siderúrgicas da China - país que respondeu, no primeiro trimestre, por 66% da receita da Vale -, a mineradora tem concordado em vender seu principal insumo fora dos contratos de longo prazo, fato inédito segundo o diretor de Ferrosos da companhia, José Carlos Martins.Diante da indefinição internacional, o executivo já admite a possibilidade de mineradoras e siderúrgicas atravessarem o ano sem a fixação de novo nível de preço para os contratos. Desde 2005, quando a Vale liderou a negociação que resultou no aumento histórico de 71,5% no preço do minério de ferro, o produto iniciou uma escalada no mercado internacional. Agora, diante da inversão de forças entre oferta e demanda, os chineses pressionam por uma redução de 40%; siderúrgicas japonesas e coreanas já acenam com a possibilidade de aceitar corte de 30% a 35%. A Vale afirma que ainda não está negociando.Embora a mineradora brasileira já tenha comunicado a inadimplência de contratos dos chineses, ainda espera uma solução negociada - sem precisar recorrer à arbitragem internacional - enquanto aguarda a definição de preços dos concorrentes. "A Vale nunca vendeu minério de ferro no mercado spot. O mercado virou e os preços agora são provisórios. O spot é muito volátil e não há condições de servir de referência. Qualquer coisa que ocorra, um tufão na Austrália, uma enchente no Pará, pode mudar bruscamente os preços. A China está dando preferência ao spot. Mas, no momento, as soluções não são imediatas", comentou o executivo.Hoje, o preço contratual do minério cobrado pela Vale está em torno de US$ 70 a US$ 75 (FOB) a tonelada. No mercado à vista, o preço, que chegou a bater US$ 200 no ano passado, caiu para US$ 65. No primeiro trimestre, a Vale anunciou que, por causa da situação excepcional do mercado, passou a oferecer descontos que chegavam a 20%. Reajustes para baixo são inevitáveis, estimam analistas. A questão agora é apenas de calibragem. A Vale é espectadora no processo, declara Martins. "Fizemos uma opção e a estamos seguindo." Até 2008, a Vale atuou na definição dos preços internacionais. A mineradora obteve índices históricos de reajuste no preço do produto.Martins afirmou ainda que a Vale não deve ampliar o corte de 36,5% no plano de investimentos para este ano, como preveem analistas do setor. "Temos um plano de investimentos ainda robusto, de US$ 9 bilhões. Isso é muita coisa, é o maior investimento privado do Brasil."

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