Vale vende participação no Golfo Pérsico por US$ 418 milhões

A Companhia Vale do Rio Doce vendeu a participação de 50% no capital da Gulf Industrial Investment Company (GIIC), pelotizadora localizada no Bahrain, no Golfo Pérsico, por US$ 418 milhões, dos quais US$ 41 milhões se referem a lucros retidos. A companhia afirmou que tinha visão distinta a respeito da gestão dos negócios da joint venture, na qual a Gulf Investment Corporation detinha a outra metade. Por isso, ambas entraram num acordo "mandatory buy-sell" para resolver as divergências nos termos do acordo de acionistas vigente.A Gulf produziu quatro milhões de toneladas em 2005, o que representou 7,1% da produção total de pelotas da Vale e suas joint ventures, de 56,4 milhões de toneladas. Desse modo, disse a Vale em nota ao mercado, a venda da participação da companhia não compromete sua estratégia de expansão no mercado global de pelotas.A empresa afirmou ainda que mantém a estratégia de consolidar a liderança global no mercado transoceânico, para se beneficiar o significativo potencial de crescimento no médio e longo prazo da demanda por pelotas. Foi lembrado o desenvolvimento do projeto Itabiritos, em Minas Gerais, que compreende uma usina de pelotização com capacidade de produção anual de 7 milhões de toneladas. Além disso, "encontra-se em fase de aprovação o projeto Tubarão VIII, envolvendo a construção da oitava usina de pelotização da CVRD no porto de Tubarão, em Vitória, Espírito Santo, com capacidade de sete milhões de toneladas por ano".A companhia citou também que a Samarco, joint venture na qual detém 50% do capital, investe na construção de sua terceira planta de pelotização, com capacidade de produção de 7,6 milhões de toneladas por ano. A conclusão dos projetos mencionados elevará a capacidade anual de produção da Vale e suas joint ventures de 52,4 para 74 milhões de toneladas.Balança comercialA Vale do Rio Doce contribuiu com US$ 6 bilhões para a balança comercial brasileira no ano passado, mas a expectativa da mineradora é chegar a um patamar em torno de US$ 10 bilhões após a conclusão de investimentos já anunciados. De acordo com diretor Executivo de Planejamento e Gestão da Vale, Gabriel Stoliar, esse foi o objetivo da Vale ao fazer aquisições na área de minério de ferro no Brasil, para conseguir competir com os concorrentes australianos.Stoliar observou ainda a importância da diversificação de produtos e mercados aonde a mineradora brasileira atua. Na opinião dele, a diversificação permite reduzir o risco e conseqüentemente o custo de capital.A Vale já é uma companhia investment grade (títulos com boa qualificação de crédito conferidos pelas agências de rating - qualidade de crédito).Minério de ferroStoliar disse ainda que as discussões em torno do reajuste do preço do minério de ferro com as siderúrgicas chinesas estão perto de serem concluídas. Ele confirmou que as siderúrgicas devem aceitar o mesmo percentual de 19% já obtido com grandes européias e asiáticas.Ele, assim como o presidente da Vale, Roger Agnelli, destacou na semana passada que a referência de preço para o reajuste deste ano já foi dada quando se fechou os contratos com as empresas chinesas.Este texto foi atualizado às 13h39.

Agencia Estado,

29 de maio de 2006 | 10h27

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