Vale volta a pressionar e Bovespa começa o dia em queda

Rumores de que a mineradora estaria se preparando para uma grande aquisição no exterior derrubam ações

Sueli Campo, da Agência Estado,

10 de junho de 2008 | 10h49

A Bolsa de Valores de São Paulo começou o dia em forte queda, alinhada com o mau humor externo. O assunto do dia, porém, continua sendo a Vale, em função dos rumores de que a companhia se prepara para uma aquisição de grande porte no exterior, três meses após desistir da anglo-suíça Xstrata. Na segunda-feira, os papéis da mineradora foram bastante castigados. Vale ON caiu 3,38% e Vale PNA, 1,74%. Nesta terça, a Bovespa registrava queda de 2,14% às 10h45, operando aos 67.800 pontos.  Veja também: Vale pretende fazer oferta primária de ações de até US$ 15 bi Segundo fontes, a mineradora brasileira vai fazer uma captação de US$ 30 bilhões para fazer caixa. No final da tarde de segunda, as especulações eram de que três empresas estariam na mira da Vale: Alcoa, segunda maior fabricante de alumínio do planeta; Anglo American, quarta maior mineradora do mundo, e a americana Freeport-McMoRan, gigante da produção de cobre. À noite, a Vale informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comenta rumores de mercado.  Mesmo sem confirmação do negócios, os investidores estão receosos de que a Vale contraia um endividamento elevado que possa comprometer o rating dados pelas agências de classificação de risco. O diretor da TAG Investimento, Gabriel Vidigal, observa que os preços do minério estão numa fase de maior volatilidade e a Vale pode estar se alavancado em cima de uma receita lastreada em um ativo volátil tendo, na outra ponta, de arcar com uma dívida em renda fixa. São essas incertezas que estão por trás da queda dos papéis.  Nesta terça, as ações de Petrobras podem vir a funcionar como contraponto positivo porque o petróleo retomou a trajetória ascendente e era negociado nesta manhã na Nymex eletrônico a US$ 137 o barril, alta de mais de 2%. A commodity está ampliando a queda, repercutindo o quadro traçado no relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) de junho, divulgado mais cedo.  Paralelamente, o dólar reduz a valorização ante o euro e o iene, com o discurso de terça à noite do presidente do Fed, Ben Bernanke, não tendo suporte duradouro para a moeda norte-americana. As articulações de membros da Opep de um encontro entre os produtores e consumidores para discutir a recente escalada de preços e a notícia de aumento das margens para negociações de determinados contratos de petróleo e óleo de calefação na plataforma da Nymex não mitigam a alta da commodity futura. A AIE afirma em seu relatório que a oferta de petróleo por países que não estão na Opep não está acompanhando o consumo e que será necessária uma grande queda da demanda para tirar o vigor da alta recente de preços do petróleo. No entanto, as contínuas preocupações com a alta do óleo e os seus efeitos perversos nos preços e a possibilidade de aumento de juro nos EUA contaminam as bolsas ao redor do mundo. Nos EUA, o Nasdaq recuava quase 1,5% mais cedo e o S&P 500 cedia 1%.  Essas preocupações com a inflação foram reforçadas pelo alerta incisivo do presidente do Fed, Ben Bernanke. Ele disse na terça à noite que os ganhos recentes dos preços de energia ampliaram os riscos inflacionários e que o Fed vai "resistir fortemente" a qualquer erosão das expectativas de longo prazo para preços. A possibilidade de os EUA elevarem a taxa de juros para secar a liquidez e conter a inflação pode desacelerar a economia norte-americana e tirá-la de uma recuperação.

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