Valor das empresas na Bolsa recua R$ 871 bilhões no ano

Com 41,5% de queda no ano, Bolsa tem em 2008 o segundo pior desempenho da história

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2008 | 00h00

As empresas brasileiras listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perderam R$ 871 bilhões em valor de mercado neste ano, o que significa uma perda de 41,5% em relação ao valor de dezembro do ano passado, segundo estudo da consultoria Economática. No dia 31 de dezembro de 2007, as 323 empresas analisadas pela Economática valiam R$ 2,097 trilhões. Quase um ano depois, no dia 26 de dezembro, o valor dessa mesma carteira era de R$ 1,225 trilhão. As perdas equivalem a tirar de circulação duas Petrobrás ou todos os bancos listados. "Em valores absolutos, é a maior queda da história da bolsa brasileira", diz o gerente de Relações Institucionais da Economática, Einar Rivero.Já em proporção, a queda de 41,5% da Bolsa é a segunda maior da história, atrás apenas da queda de 44,4% em 1972. "A crise econômica da época causou essa queda, mas o volume de dinheiro nem se compara com o atual." O gerente explica que, se a bolsa fechar o ano abaixo de 35.508 pontos, esse recorde também será batido e 2008 será o pior ano da história.Em valores absolutos, as maiores perdas foram as da Petrobrás (de R$ 430 bilhões para R$ 220 bilhões) e da Vale (de R$ 270 bilhões para R$ 136 bilhões). "As duas, somadas, representam 40% de toda a queda de valor das empresas neste ano", diz Rivero.Analisando-se, no entanto, a queda do valor de cada empresa, aquelas em pior situação são a Construtora Rossi - cujo valor no Ibovespa no fim de 2007 era de R$ 3,55 bilhões e na semana passada era de R$ 690 milhões (perda de 80,6% de valor de mercado) - e Aracruz. Há um ano, a empresa de papel e celulose valia R$ 14,7 bilhões e atualmente vale R$ 3,1 bilhões (perda de 78,9%)."O setor de construção civil, representado por 29 empresas na nossa análise, foi o mais afetado ao longo de 2008. Teve uma queda de 72,4%, ou R$ 38,4 bilhões", diz Rivero. "Havia muitas empresas novas na bolsa, com valor acima do real. Um ajuste natural de mercado, seguido da crise econômica, e o preço das ações despencou."O desempenho ruim das empresas de construção não foi surpresa para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostinni. "As empresas começaram agora a se estruturar, estavam muito capitalizadas e, diante de uma crise de crédito, o mercado ajustou o preço das ações para baixo", explica.Já no caso do setor de papel e celulose, o segundo mais afetado - com queda de 68,3% -, ele afirma que é mais um problema de crise. "Fora o susto da Aracruz, esse era um setor que andava de lado, com fusões, aquisições, mas sem grandes sustos. Deve se recuperar antes da construção civil."EXCEÇÕESApenas sete empresas apresentaram desempenho positivo este ano, segundo o levantamento: Nossa Caixa (alta de 188,2%), Brasil Telecom (33,2%), Ultrapar (33,2%), CTEEP (15,3%), Natura (12,8%), Eletrobrás (8,2%) e JBS-Friboi (4,6%).Para Agostini, da Austin Rating, essas empresas - com exceção da Nossa Caixa - estão dentro de um grupo menos afetado pela crise. O economista acredita que os setores de energia e alimentos serão os que primeiro apresentarão melhora."Recuperada a confiança, os investidores devem começar a voltar no segundo semestre de 2009", diz o economista, que espera um resultado tímido para a Bolsa em 2009. "Não mais que 15% a 20% em relação a este ano, se houver crescimento."O administrador de investimentos Fábio Colombo diz que quem aplicou na Bolsa e viu o dinheiro minguar pode conseguir um preço médio melhor comprando ações agora. "Mas as pessoas ainda estão nervosas. O melhor, para quem perdeu, é esperar o mercado se recuperar."

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