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Valor de aluguel de lojas dobra em 5 anos

E o custo para adquirir um ponto em shoppings consolidados e nos principais corredores comerciais triplicou no mesmo período

MÁRCIA DE CHIARA, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2013 | 02h06

No rastro do bom desempenho de vendas do varejo, os preços dos aluguéis de lojas em shopping centers consolidados e nos principais corredores comerciais do País quase dobraram nos últimos cinco anos e o valor do ponto, que é a luva, triplicou.

"Nunca foi tão caro e difícil para as redes varejistas conseguir cumprir seus planos de expansão", afirma Marcos Hirai, diretor da Real Estate BG&H, consultoria do Grupo Gouvêa de Souza especializada em prospectar pontos comerciais para empresas do varejo. Isso ocorre tanto entre shoppings e corredores comerciais de lojas de luxo como no comércio popular, voltado para a nova classe média brasileira.

Segundo executivo, a consultoria, com 28 redes varejistas como clientes, tem a incumbência de encontrar 350 lojas nos próximos 12 meses para essas empresas. "Não vamos necessariamente conseguir abrir essas lojas pela dificuldade de encontrar pontos de venda", calcula.

Hirai conta que há fila para locação das lojas de rua em corredores comerciais importantes e nos shoppings consolidados. "Cinco anos atrás demorava um mês para encontrar um ponto. Hoje varia entre oito e catorze meses." Também, segundo ele, o índice de vacância despencou, de 7% para menos de 1%, em igual período.

Paradoxo. Na avaliação de Hirai, atualmente o mercado de locação de lojas vive um paradoxo: há fila de espera nos shoppings consolidados e faltam lojistas para shoppings novos. É que os lojistas querem expandir a rede e aproveitar o bom momento do consumo, mas não estão dispostos a esperar o tempo de maturação dos shoppings novos. "Eles preferem ficar na fila de espera nos shoppings consolidados porque não têm capital de giro para entrar num empreendimento novo e aguardar que ele se consolide", observa o consultor.

Para Francisco de Paula Carvalho Pereira, diretor de Novos Negócios da CCP (Cyrela Commercial Properties), que administra quatro shoppings, fila é um exagero. Mas ele confirma que " a procura por lojas é bastante boa". Tanto é que a taxa de lojas vagas caiu pela metade nos últimos três anos, de 6% para 3%, "Esse índice é bastante baixo e saudável."

Diante do aumento do consumo, o executivo explica que atualmente o cenário está tão favorável para os shoppings que muitas vezes quem provoca vacância da loja é o próprio administrador do shopping que não está satisfeito com o desempenho do lojista. Isso só é possível porque há outro lojista interessado no ponto.

Já o diretor de Relações Institucionais da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva, diz que o número de lojas vagas nos shoppings consolidados é praticamente nulo. Ele também ressalta que há um paradoxo no setor, isto é, há um número recorde de inaugurações de novos shoppings previstos para este ano e, ao mesmo tempo, uma disputa acirrada pela locação de lojas nos empreendimentos mais visados.

Dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) mostram que há no País 463 shoppings em funcionamento. A previsão é de que sejam inaugurados neste ano 40 shoppings, número recorde. Isso equivale a cerca de 8 mil lojas.

Para a superintendente da Abrasce, Adriana Colloca, a vacância média dos shoppings no Brasil é de 2,5%. Ela diz que no caso dos shoppings consolidados esse índice é próximo de zero. De toda forma, Adriana explica que não é correto esperar que o índice de lojas vagas aumente com o volume crescente de shoppings entrando em funcionamento. "Quando um empreendedor constrói um shopping, antes ele realiza um estudo de viabilidade econômica, onde é avaliado o potencial de consumo do mercado."

Novos mercados. Apesar de ter fila para locar lojas nos shoppings consolidados, Tony Bonna, diretor da AD Shopping, empresa que administra 29 shoppings espalhados pelo País, observa que está havendo gradativamente uma migração dos novos empreendimentos para cidades menores.

Antes, diz Bonna, as cidades que eram alvo para construir novos shoppings tinham cerca de 300 mil habitantes. Atualmente são municípios com 100 mil habitantes, diz o executivo.

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