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Valor de mercado da Petrobrás cai 65% em 1 ano

Crise deflagrada pela Lava Jato completa um ano; mercado prevê prejuízo de até R$ 1,8 bilhões no 3º trimestre

Antonio Pita, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2015 | 02h02

RIO - A Petrobrás apresenta na quinta-feira o resultado do 3.º trimestre de 2015 - um ano após adiar a divulgação e registrar em seu balanço as perdas com a crise deflagrada pela Operação Lava Jato. Desde setembro de 2014, a perda de valor da companhia chega a 65%, e, após um ano turbulento, a companhia não dá sinais de recuperação. As estimativas do mercado indicam um prejuízo no trimestre de até R$ 1,8 bilhão.

Os analistas financeiros dizem que a empresa pode não pagar dividendos pelo segundo ano seguido.

O resultado do trimestre será afetado pela valorização de 28% do dólar entre julho e setembro, que causa impacto na dívida externa da empresa. Segundo relatório do HSBC, o resultado também será prejudicado pela despesa de R$ 2 bilhões referente à quitação de dívidas tributárias. "Esperamos um prejuízo líquido de R$ 1,8 bilhão reduzindo a perspectiva de pagamento de dividendo relativo a 2015", diz o relatório.

Ações em queda. No terceiro trimestre, as ações da Petrobrás caíram cerca de 40%, segundo levantamento da consultoria Economática. "O mercado já repassou ao preço das ações boa parte dos resultados, principalmente o impacto do dólar sobre a dívida. Mas ainda pode cair mais", diz Flávio Conde, da consultoria What'sCall.

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'O mercado já repassou ao preço das ações boa parte dos resultados, principalmente o impacto do dólar sobre a dívida. Mas ainda pode cair mais.' - Flávio Conde, analista da consultoria Whatscall
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A companhia também não pagou dividendos referentes a 2014 após reportar um prejuízo de R$ 21 bilhões no último ano.

Os balanços do terceiro trimestre e anual foram adiados por seis meses após a empresa de auditoria PriceWaterhouseCoopers (PwC) se recusar a validar o documento, em meio às denúncias de corrupção na estatal. A auditoria questionou a permanência na empresa de executivos envolvidos na Lava Jato e não houve consenso sobre o valor da baixa contábil.

Em abril, ao finalmente apresentar o balanço de 2014, o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, informou que a companhia não distribuiria dividendos como "medida de preservação de caixa".

Após um ano turbulento - com enxurrada de denúncias de corrupção, troca de diretoria, indefinição sobre o balanço anual, queda de cotações internacionais e dificuldades para cortar gastos e vender ativos - "não há nada que indique que a situação vá melhorar", diz o economista da UFRJ, Edmar de Almeida.

A dívida é a principal fragilidade da companhia e o indicador que mais a diferencia das grandes petroleiras internacionais, também afetadas pela queda das cotações de óleo. Com a alta do dólar no terceiro trimestre, as dívidas da Petrobrás devem passar de R$ 323,9 bilhões para mais de R$ 417 bilhões, segundo estimativa do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O impacto não é maior por que a companhia adota uma política de proteção à variação cambial, conhecida como contabilidade de hedge.

Estimativas dos bancos. Entre as estimativas dos bancos, apenas o JP Morgan considera um lucro para a companhia, de R$ 395 milhões. O BTG Pactual estima perda de US$ 661 milhões. O banco Itaú calcula prejuízo de R$ 502 milhões para a estatal no terceiro trimestre.

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