Valor do barril do pré-sal sai esta semana

Analistas do mercado financeiro projetam que o preço gire em torno de US$ 10

Wellington Bahnemann, Silvia Araujo, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

 

Fim da novela. CNPE publicará resolução aprovando contrato de cessão onerosa da Petrobrás              

 

 

 

 

 

 

O valor das reservas de 5 bilhões de barris de petróleo que a União irá repassar à Petrobrás será definido pelo governo esta semana. Ontem, o ministro das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou que estão em fase de conclusão os estudos sobre o preço de cada barril, com base nas avaliações apresentadas pelas consultorias contratadas pela Petrobrás e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Analistas no mercado financeiro especulam que o valor do barril fique próximo de US$ 10. Informações extraoficiais situam a avaliação da consultoria De Golyer & McNaughton, da Petrobrás, entre US$ 5 e US$ 6; a da Gaffney, Cline & Associates, teria ficado entre US$ 10 e U$ 12. Zimmermann preferiu não entrar em detalhes sobre preços. "Qualquer comentário antes da conclusão dos estudos só irá gerar especulação", disse.

O ministro, que participou de evento promovido pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), informou que depois que o valor estiver definido, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) irá publicar resolução aprovando o contrato de cessão onerosa.

Segundo ele, a intenção é concluir o processo até o final de setembro. "O que está se tentando é manter o cronograma. A ideia de todos é não alterar isso", disse. A definição do preço da cessão onerosa dos barris abre caminho para o processo de capitalização da Petrobrás, que pode chegar a até US$ 85 bilhões.

O prospecto preliminar da oferta, com o preço da cessão onerosa, deve chegar ao mercado no dia 16 ou 17 de setembro, segundo fontes envolvidas no processo. Com este cronograma, a operação tem condições de ser concluída até 30 de setembro, como quer a empresa.

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniram-se em São Paulo. O governo só deve informar o valor do barril à parte do prospecto caso a informação vaze e provoque oscilações bruscas das ações da Petrobrás.

As indefinições em torno da capitalização têm penalizado a evolução dos títulos da estatal na Bolsa de Valores. Desde o início do ano, a empresa vem perdendo valor e, segundo uma fonte do mercado, uma forte volatilidade das ações poderia comprometer, inclusive, a própria oferta para o aumento de capital, ainda mais porque a data estimada para a divulgação do comunicado ao mercado antecede o próximo vencimento de opções sobre ações na Bovespa.

Segundo uma fonte ouvida pela Agência Estado, com o desempenho favorável da candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, a data da oferta de ações coincidir ou não com a eleição já não é um problema, como chegou a ser cogitado antes, quando o governo ainda não conseguia dimensionar com exatidão o desempenho da candidata. Também não haveria ônus se a operação ficasse para depois das eleições, se o PT realmente seguir no governo.

Investidores. Apesar do período de férias no Hemisfério Norte, investidores estrangeiros estão sendo sondados e, pelo que se verifica, a operação será bem vendida lá fora. Isso torna desnecessária a apresentação internacional (road show) mais extensa, uma vez que a operação já teve ampla divulgação.

Simultaneamente abre-se o período de preferência e de reserva para os interessados nos papéis. Se tudo ocorrer dentro desse cronograma, a definição do preço pode ocorrer na data que o governo pretende, 30 de setembro, graças à nova regra da CVM.

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