Valor do Facebook cai pela metade

Mark Zuckerberg classificou como 'doloroso' o comportamento das ações

SAN FRANCISCO, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h10

As ações do Facebook despencaram ontem mais de 4%, para uma nova mínima, um dia após investidores anteriores à oferta pública inicial de ações da rede social receberem luz verde para vender seus papéis pela primeira vez.

Mais de 270 milhões de ações detidas por investidores anteriores à oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) tornaram-se disponíveis para negociações na quinta-feira, após o fim da restrição à venda destes papéis por três meses. O volume representa mais da metade das 421 milhões de ações vendidas por ocasião do IPO do site em 18 de maio.

A ação do Facebook atingiu ontem uma mínima de US$ 19, queda de 50% sobre o preço inicial de US$ 38 dólares definido no IPO. No fechamento, a cotação do papel ficou em US$ 19,05, o que representou uma desvalorização de 4,13%. Ontem, foram negociadas 129 milhões de ações do Facebook.

Mais de 1,4 bilhão de ações adicionais mantidas por outros investidores pré-IPO e funcionários do Facebook vão se tornar disponíveis para negociações até o fim do ano, adicionando mais pressão sobre o valor da empresa.

O Facebook, maior rede social do mundo, tornou-se a única companhia dos Estados Unidos a estrear em bolsa de valores com um valor de mercado de mais de US$ 100 bilhões.

Mas, desde então, os investidores têm se mostrado desiludidos com a falta de um plano do Facebook para reverter uma desaceleração no crescimento de suas receitas.

Dor. Mark Zuckerberg, presidente e fundador do Facebook, costumava pedir que os funcionários não dessem atenção à queda das ações da companhia. No dia do lançamento das ações, ele colocou uma imagem em sua página do Facebook em que dizia: "Mantenha o foco, continue a entregar".

Mas, numa reunião na empresa no começo do mês, ele admitiu que poderia ser "doloroso" continuar a ver os investidores se desfazerem das ações do Facebook, segundo o Wall Street Journal. Ele começou a reunião dizendo que não gostaria de começar os encontros da empresa falando do preço das ações, já que a volatilidade é algo esperado, mas que ele reconhecia que a queda dos papéis era algo "doloroso" para alguns funcionários.

Na sede da empresa, alguns funcionários afirmaram ao jornal americano que não estão preocupados com as perdas atuais, pois acreditam na visão da companhia. "Terei uma perda de curto prazo agora", disse um empregado do Facebook que possui ações que valem hoje menos do que valiam quando ele as recebeu.

Mudança. Com as ações em que, já há analistas sugerindo que Zuckerberg deixe o comando da empresa, de acordo com o Los Angeles Times. "Mark Zuckerberg, um visionário das mídias sociais, mas neófito como administrador corporativo, deveria renunciar ao posto de presidente para deixar algum executivo mais experiente comandar a empresa multibilionária?", questionou o jornal.

"Nesse cenário, Zuckerberg continuaria como uma força criativa a impulsionar a inovação tecnológica do Facebook. Mas o jovem de 28 anos deixaria o título de CEO para alguém mais bem preparado para coordenar as operações e para criar harmonia com investidores sensíveis - responsabilidades mundanas mas essenciais para as quais Zuckerberg mostrou pouco apetite ou aptidão", apontou o jornal.

No caso do Google, Eric Schmidt, um executivo experiente do setor de tecnologia, assumiu o comando da empresa até que Larry Page, cofundador do gigante das buscas, estivesse preparado para comandar a companhia. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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