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Valor dos depósitos pode chegar a US$ 50 bi

Banco Central indicou, em 2009, que o volume total de recursos de brasileiros no exterior seria de US$ 22 bilhões; senador calcula que chega a US$ 50 bilhões

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

Diante da capacidade de manipulação e da complexidade das finanças internacionais, poucos são os que se arriscam a dizer qual é o real valor dos depósitos de brasileiros no exterior. O Banco Central (BC), em 2009, indicou que o volume chegaria a US$ 22 bilhões, oficialmente declarados. Já o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que propõe anistia para repatriar o dinheiro não declarado pelo mundo, já estimou que seriam US$ 50 bilhões.

Seja qual for o valor, a constatação é de que vários bancos suíços abriram filiais no País, ampliaram seus investimentos e passaram a considerar o Brasil um de seus principais mercados para expansão. O UBS, depois de um momento crítico nos últimos anos, voltou em 2010 ao País, pagando quase R$ 200 milhões pela Link Investimentos.

Tanto em Genebra como em Zurique, um brasileiro que queira abrir uma conta num private banking pode se surpreender. Ao entrar em contato com um tradicional banco, não é atendido por um suíço, mas muitas vezes por um gerente que fala português fluentemente e conhece o Brasil. Em alguns casos, bancos chegam ao ponto de contratar brasileiros, muitos deles formados em Economia e Direito nas principais cidades do País.

Departamentos inteiros para se ocupar de clientes latino-americanos e especialmente brasileiros existem no Credit Suisse, UBS, Goldman Sachs e nos escritórios do Merrill Lynch num bairro de alta classe de Genebra.

A escolha por jovens brasileiros também atende a outra necessidade dos bancos suíços: a de reduzir a visibilidade dos gerentes de contas especiais que precisam viajar até o Brasil para visitar seus clientes. Com a prisão de alguns deles de nacionalidade suíça nos Estados Unidos e mesmo no Brasil, os bancos optaram por novas estratégias.

Cada vez mais numerosos, os jovens gerentes brasileiros só não perdem um costume: o de acabar o domingo em um dos pubs de Genebra - o Mr. Pickwick"s - vendo jogos do Campeonato Brasileiro de futebol.

Declaração ao BC. Anualmente, o Banco Central recebe a chamada Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior, que os residentes pessoas física e jurídica são obrigados a prestar quando detêm ao menos US$ 100 mil em outro país.

O recebimento de informações relativas a 2010 está em andamento e tem como prazo final o dia 28 de fevereiro. O relatório sobre as declarações do ano passado (referente a 2009) está sendo finalizado e, segundo o BC, deve ser divulgado "em breve".

Os dados públicos mais recentes são de 2008. Por esse levantamento, os depósitos de brasileiros em bancos suíços somavam US$ 955 milhões, ante US$ 1,06 bilhão em 2007. O levantamento mostrava que a Suíça era o terceiro destino de depósitos de brasileiros no exterior, atrás dos EUA (com US$ 14,5 bilhões em 2008) e das Ilhas Cayman (com US$ 4,07 bilhões em 2008).

O BC disse não dispor de dados sobre o fluxo de recursos de residentes no Brasil para o exterior segmentado por países, apenas do estoque, como é mostrado no relatório da Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior.

A autoridade monetária brasileira também registrou um estoque de US$ 106 milhões em Investimento Brasileiro Direto (IBD), que são recursos voltados para o setor produtivo. No caso do IBD, o BC dispõe de estatísticas dos últimos dois anos. Em 2009, foram enviados US$ 52 milhões de empresas brasileiras para a Suíça. Em 2010, foram remetidos US$ 247 milhões. / COLABOROU FÁBIO GRANER

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