Valorização das ações não tem respaldo na realidade

Cotação dos papéis das empresas criou um movimento apelidado de 'bolha do baseado' por analistas do mercado

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2014 | 02h09

A legalização do uso da maconha nos Estados do Colorado e de Washington e a perspectiva de crescimento desse mercado provocaram valorização espetacular das ações de empresas do setor, movimento apelidado de "bolha do baseado" por analistas. Algumas companhias registraram alta de 700% desde o fim de 2013, sem que nenhum de seus "fundamentos" tenha se alterado no período.

A maioria dos papéis é vendida em mercados de balcão pouco regulados. São as chamadas penny stocks que aparecem no filme O Lobo de Wall Street.

A Medbox teve valorização de 253% entre 26 de dezembro e 31 de janeiro, depois de anunciar que colocaria no mercado máquinas que poderão ser usadas para venda de maconha por meio de identificação digital.

Em 7 de janeiro, as ações subiram 85%, para US$ 73,90. Desde então, a cotação recuou e chegou a US$ 36 em 31 de janeiro. Na sexta-feira, os papéis estavam em US$ 27,50, quase três vezes acima do patamar de 26 de dezembro. Mas os dados financeiros não sustentam essa exuberância. A Medbox registrou vendas de US$ 2,9 milhões de janeiro a junho de 2013, com ganho líquido de US$ 23 mil.

Entre 26 de novembro e 31 de janeiro, as ações da Hemp Inc. subiram 745% e valor de mercado foi a US$ 151,7 milhões. Dados divulgados pela Hemp indicam que suas vendas foram de US$ 1,63 milhão de janeiro a setembro de 2013, o que gerou prejuízo líquido de US$ 946 mil.

A Cannabis Science tem papéis no mercado de balcão, pouco regulado, e na Nasdaq. De 1.º de dezembro a 31 de janeiro, suas ações subiram 439%. Fundada por cientistas, desenvolve medicamentos que têm cannabis na composição e está na fase de testes para produtos voltados a portadores de HIV e câncer. Em 31 de janeiro, seu valor de mercado era de US$ 136,3 milhões, apesar de um prejuízo líquido de US$ 3,61 milhões em nove meses. / C.T.

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