Valorização do dólar veio para ficar, diz consultoria

Segundo o sócio -diretor da Global Financial Advisers, Miguel Daoud, o mundo começou a perceber que moeda norte-americana ainda é um porto seguro 

Nalu Fernandes e Cristina Canas, da Agência Estado,

21 de setembro de 2011 | 16h07

A valorização do dólar ante a moeda brasileira veio para ficar. O dólar pode não ter uma trajetória de alta tão rápida, como dizem, subindo de elevador, mas dificilmente veremos o dólar em outro patamar. As avaliações foram feitas por Miguel Daoud, sócio-diretor da consultoria Global Financial Advisers, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

Daoud pondera que o mundo começa a perceber que, apesar da crise, o dólar ainda é um porto seguro. "As pessoas falam que os Estados Unidos estão quebrados, têm 100% de dívida em relação ao PIB. Só que este 100% de dívida custa 1,7% do PIB. Quando se compara com o Brasil, que tem 40% de dívida em relação ao PIB, o País paga 6,5% o custo da dívida. Se afirmarmos que o mundo se tornou uma favela econômica, os Estados Unidos continuam sendo o rei da favela", disse.

O analista cita ainda que na Europa as economias são extremamente maduras e, portanto, não têm condições de crescer de forma a obter rentabilidade ao ponto de pagarem suas dívidas. A região asiática, prossegue ele, também tem limitações em função de problemas inflacionários, bem como o Brasil, que tem dificuldades na arena da inflação. Todo o cenário citado, enfatiza Daoud, mostra que "não há retorno para patamares em que estava o dólar". "Pode cair um pouquinho e reduzir a alta, mas não veremos mais o dólar a R$ 1,60 ou a R$ 1,55". No curtíssimo prazo, em face também da reunião de política monetária do Federal Reserve, Daoud avalia que o dólar deve alcançar R$ 1,85.

No Panorama Econômico Mundial (WEO), o FMI citou que economias como as do Brasil e da África do Sul estavam experimentando pressão do fluxo de capital forte o bastante para manter a taxa de câmbio no território sobrevalorizado. Apesar da valorização recente da moeda norte-americana, de cerca de 17% ante os níveis registrados em 26 de julho, Daoud considera que o real continua sobrevalorizado. Para ele, a taxa de equilíbrio, ou a taxa justa para a situação atual, está em R$ 2,20 ou R$ 2,22 por dólar.

O rumo do dólar vai ser um problema para o Banco Central no controle da inflação, na avaliação de Daoud. "Vai ter impacto significativo sobre a inflação. Vai ser um grande problema para o BC", acrescentou. Para o analista, "seguramente" a inflação vai romper o teto da meta ao fim do ano. "A inflação no Brasil é persistente. Há quanto tempo que não cumprimos a meta central de inflação? Há um bom tempo", disse.

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