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Valorização do real eleva lucro de empresas

Resultados do segundo trimestre ?compensam? perdas do final de 2008

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2009 | 00h00

Empresas brasileiras que amargaram prejuízos bilionários no final do ano passado, quando a subida do dólar fez explodir suas dívidas em moeda estrangeira, estão vendo o jogo se inverter nos últimos meses. Com a valorização do real frente à moeda americana - de cerca de apenas 15% no segundo trimestre deste ano -, elas voltaram a apresentar lucros gordos em seus balanços. Braskem, Aracruz, Usiminas, Votorantim Celulose e Papel (VCP), Klabin e Gol são algumas das companhias que mostraram bom desempenho graças ao efeito cambial. Na petroquímica Braskem, por exemplo, o lucro líquido no segundo trimestre chegou a R$ 1,156 bilhão, em boa parte impulsionado pelo câmbio. Segundo analistas, as empresas estão recuperando parte do prejuízo sofrido no pior período da crise - em dezembro, o dólar chegou a R$ 2,50. "Há uma descompressão dos resultados", afirma o economista Fábio Silveira, da RC Consultores. A Braskem havia registrado perdas de R$ 2,14 bilhões no quarto trimestre de 2008.A redução do endividamento, porém, foi apenas um alívio no resultado das empresas. Isso porque boa parte delas continua sofrendo com outros efeitos da crise, como a redução da demanda mundial. A própria desvalorização do dólar também teve seu lado negativo, na medida em que reduziu as receitas com as vendas externas. "As empresas exportadoras estão passando por um momento difícil. O ganho financeiro com o câmbio foi apenas uma espécie de compensação", afirma Silveira.A Usiminas é um exemplo desse descompasso. A siderúrgica teve um dos piores resultados operacionais de sua história no segundo trimestre deste ano, com queda de 38% nas vendas em relação ao mesmo trimestre de 2008. A geração de caixa (Ebitda) também caiu, de R$ 1,423 bilhão para R$ 117 milhões. Ainda assim, registrou lucro líquido de R$ 369 milhões no período. "Não estamos satisfeitos com a qualidade da recuperação, ela é muito mais financeira do que operacional", resumiu o presidente da Usiminas, Marco A. Castello Branco, ao comentar os resultados da companhia, no final de julho.Na Aracruz, o o lucro líquido foi de R$ 595,5 milhões, um crescimento de 127% ante o mesmo período de 2008. Enquanto isso, a margem Ebitda despencou de 40% para 26%, e a receita caiu 12%. O mesmo ocorreu com a VCP: lucro de R$ 533 milhões e redução da margem Ebitda de 34% para 23%. A Braskem e a Gol, que tiveram melhora operacional no último trimestre, são as exceções a essa regra. Além do lucro líquido de R$ 354 milhões, fruto do impacto da valorização do real em sua dívida, a Gol teve um resultado operacional positivo de R$ 89,9 milhões. "Conseguimos recuperar parte do impacto negativo que tivemos quando o dólar foi a R$ 2,30", afirmou o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Junior, na divulgação do balanço esta semana. Para o analista de investimentos da Spinelli Corretora, Jayme Alves, porém, as empresas não podem contar com a "ajudinha" do câmbio em seus próximos resultados. "Pode haver algum ganho no terceiro trimestre, porque o dólar continuou caindo depois de junho.Mas (a desvalorização) é um movimento temporário." Na avaliação de Carlos Coradi, da Engenheiros Financeiros & Consultores (EFC), o lucro financeiro apurado pelas empresas é irreal. "É um lucro ao sabor do câmbio, que está totalmente fora do lugar." NÚMEROSR$ 1,15 bilhãofoi o lucro líquido da Braskem no segundo trimestre de 200915%foi a desvalorização média do dólar entre abril e junhoR$ 369 milhõesfoi o lucro líquido registrado pela Usiminas no segundo trimestre38%foi a queda nas vendas da empresa

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