Daniel Teixeira/Estadão
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coluna

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'Vamos abrir de 25 a 30 lojas em 2020, apesar do coronavírus', diz presidente da Pernambucanas

Sérgio Borriello diz que rede tentará aproveitar boas oportunidades para garantir pontos de venda; executivo participou da série de lives 'Economia na Quarentena', do 'Estadão'

Entrevista com

Sergio Borriello, presidente da rede Pernambucanas

Fernando Scheller e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2020 | 17h08

Em meio à crise do coronavírus, a varejista Pernambucanas pretende manter a abertura de lojas neste ano perto do plano originalmente traçado. A companhia espera inaugurar entre 25 e 30 unidades ao longo de 2020. Segundo o presidente do grupo, Sérgio Borriello, a crise traz oportunidades e deixa disponíveis pontos de venda em locais onde a companhia gostaria de ter presença. O executivo participou nesta terça-feira, 2, da série de entrevistas ao vivo Economia na Quarentena, do Estadão.

O executivo disse ainda que uma das estratégias da companhia para ganhar força em relação à concorrência é o relacionamento com os consumidores no que diz respeito ao crediário. Sabendo de uma possível alta da inadimplência por causa do crescimento do desemprego, Borriello frisou que a rede buscou reduzir juros e dar mais prazo aos clientes durante a pandemia. "Queremos plantar atendimento para colher fidelidade", afirmou.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

A Pernambucanas vinha em uma forte expansão nos últimos anos, abrindo cerca de 30 lojas por ano. Como a crise do covid-19 afeta esse movimento?

Toda crise traz oporunitades. E o varejo não é um caminhão que se freia de uma vez. Então, neste ano, acredito que gente terá umas 25 lojas que iremos abrir porque já estava no nosso caminho. A gente quer ir até um pouquinho além. A crise também traz oportunidades para ir para lugares em que gostaríamos de estar. Devemos ter de 25 a 30 lojas e manter a expansão. 

A rede está buscando cidades do interior? Qual vai ser a estratégia?

O modelo de expansão da Pernambucanas seguirá a área de atuação: Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Temos um estudo sobre tamanho de cidade e renda que, apesar da crise, continua válido. Temos bastante oportunidade no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, no norte de Minas e no Sul, sobretudo Rio Grande do Sul. São Paulo sempre será o nosso foco, mas nossa presença já é grande, assim como no Paraná.

A empresa acelerou o projeto de transformação digital durante a crise?

Esses números estão loucos hoje em dia. Com o fechamento das lojas físicas, a participação do digital disparou. Essa questão digital é claramente uma oportunidade para as Pernambucanas. A nossa fintech, por exemplo, tem 1,5 milhão de contas digitais. Avançamos na pandemia e queremos continuar a crescer epois dela. Tivemos um crescimento de 1.500% do nosso e-commerce. Nossa fintech poderá alcançar muitos tipos de serviços, buscando parcerias. É a hora de acelerar o trabalho já feito.

A pandemia está mais forte nas capitais, mas está crescente no interior. Quantas lojas das 378 do grupo estão abertas?

A gente hoje um processo de uma inteligência que acompanha casos e óbitos reportados versus os leitos disponíveis. E as lojas acompanham o que cada prefeito está falando sobre autorização  de funcionamento. Temos 378 lojas, das quais 256 estão abertas. Nessas 256, há diversos modelos. Algumas são abertas dia sim, dia não. Outras que têm horário limitado, outras capacidade limitada.

Diante dessa configuração, o grupo demitiu ou suspendeu contratos?

Não houve demissão. Fizemos redução de jornadas em alguns casos. Onde as lojas estavam fechadas, fizemos suspensão de contratos. Mas na nossa cabeça é preservar ao máximo os empregos. Boa parte dos nossos funcionários está na Medida Provisória 936.

Como a Pernambucanas vê que deveria ser a volta do funcionamento do comércio?

O assunto não é político, é técnico. De nada adianta a loja estar aberta se o consumidor não aparecer. E não vale a pena colocar em risco os trabalhadores. A visão tem de ser regionalizada, pois as situações são muito diferentes nos municípios em que a gente opera. A abertura tem de ser escalonada, gradual. Com uma barrinha mais (de cautela) tanto para o cliente quanto para o colaborador. A gente vai trazendo mais gente para trabalhar conforme o fluxo vai aumentando. Não dá hoje para tomar uma única decisão para a empresa inteira. Em certas cidades, há de se tomar cuidado porque precisa controlar a aglomeração na entrada. 

Com o aumento do desemprego, como fica a questão da inadimplência?

Acho que tem dois tipos de inadimplência. Se a pessoa perdeu 100% da renda, ele só vai cumprir as necessidades básicas, de contas da casa e alimentação. O fato de ele não te pagar não é escolha, é falta de opção. Tem a segunda inadimplência, em que houve perda de renda – é a classe B que virou classe C. E o consumidor, para fechar o orçamento, precisa escolher quais contas vai pagar depois de água, luz e alimento. Nesse segundo caso, há uma oportunidade de usar o relacionamento com o cliente para ser escolhido por ele. A gente sempre teve crediário, somos uma empresa de 112 anos. Todo mundo tem uma história com a Pernambucanas. É por isso que fizemos isenção de juros e multa nos períodos de atraso, demos carência para os clientes pagarem, fizemos parcelamento... E para quê isso? Queremos plantar atendimento para colher fidelidade. Queremos que ele traga o salário para a nossa conta digital, que ele venha para cá se o banco colocar um “x” do Serasa nele.

Por mais que a venda digital cresça, não existe um “teto” para a venda pela internet quando o tema é confecção?

O teto vai subir, embora exista um limite especialmente para o vestuário, onde a padronização dos tamanhos na nossa indústria de confecções ainda é falha. Essa flutuação de modelagem obriga o cliente a provar a roupa. O teto estava, no vestuário, por volta de 3,7%. Ele vai subir, pode passar de 15%, mas não supera 20%. Por outro lado, em outros departamentos, nos eletrônicos, celulares e cama, mesa e banho, a proporção pode ser bem maior. 

Como o sr. vê a influência da crise política na economia?

A questão do coronavírus é de saúde, e não política. Precisamos nos preocupar com a saúde das pessoas e o emprego. A polarização é a pior coisa para o País. O que a gente precisa fazer é falar com os colaboradores de maneira transparente, aberta e constante. E é isso que a gente tem feito. Preciso informar quantos casos a gente tem, se as lojas estão abertas, se vou fazer suspensão do contrato de trabalho ou redução do salário. Na última sexta-feira, fiz uma live para 60% dos nossos colaboradores. A transparência gera confiança. Todos nós no Brasil devíamos ter isso na cabeça.

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