Felipe Rau/Estadão - 8/2/2018
Felipe Rau/Estadão - 8/2/2018

'Vamos continuar sendo contra os bancos pela forma como tratam os clientes', diz Benchimol, da XP

Maior plataforma de investimento do Brasil lança cartão de crédito e se mune para briga com os grandes bancos; no início, cartão estará disponível apenas para clientes com mais de R$ 50 mil investidos na plataforma

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 16h24

Avançando sobre os produtos tradicionais dos grandes bancos, a XP Investimentos acaba de lançar um cartão de crédito para sua base de clientes. Depois de ser testado nos últimos meses por funcionários, agentes autônomos e alguns clientes, a plataforma se mune, agora, de uma importante arma para brigar pelos clientes dos grandes bancos. “Vamos continuar sendo contra os bancos pela forma com que eles tratam os clientes e continuar lutando contra a concentração bancária”, disse nesta quarta-feira, 10, o fundador e presidente da maior corretora do País, Guilherme Benchimol.

Segundo ele, no cálculo da empresa, metade do dinheiro dos 3 milhões de clientes da XP está nos grandes bancos. “Sem nenhum novo cliente, podemos dobrar nossos ativos sob custódia e chegar em R$ 1,4 trilhão”, disse Benchimol, sem abrir as metas para esse novo mercado para a corretora. O movimento marca, contudo, a entrada mais nítida da XP em produtos bancários.  “A concorrência só está começando e nosso projeto só está engatinhando”, destacou.

Benchimol disse que a XP segue, mesmo diante dessa empreitada, tendo seu foco em investimentos e que o objetivo com os lançamentos de serviços bancários é complementar seu ecossistema. “Não é porque não somos um banco que não podemos oferecer aos nossos clientes bons produtos”, disse.  O cartão lançado nesta quarta estará disponível para os clientes com mais de R$ 50 mil na XP (a plataforma não abriu quantos são), mas a ideia é que chegue a todos até o fim do ano.

O cartão foi testado primeiramente com funcionários e, depois, passou para alguns clientes. No total, 35 mil pessoas, até o início desta semana, estavam usando o cartão. A XP observou, por exemplo, que esses usuários aumentaram seus investimentos da corretora, nesse curto espaço de tempo, em 10%, o que já indicaria uma dinâmica de fluxo de recursos dos bancos para a plataforma.

Os grandes bancos sempre estiveram na mira da XP. São eles que são apontados como seus maiores concorrentes, já que, apesar de as plataformas de investimento serem cada dia mais populares, 90% dos investimentos dos brasileiros ainda estão nos grandes bancos.  “A competição é contra os grandes bancões”, frisou Benchimol.

O responsável pela área digital da XP, Bruno Guarnieri, afirmou que não haverá cobrança de anuidade e que a taxa de juros é, em média, 50% mais baixa do que a cobrada do mercado. “Não queremos capitalizar sobre o cliente e ganhar nos juros, o que queremos é que a relação do cliente com a XP fique mais interessante”, disse o executivo. 

Ao longo do ano, a XP vai promete acoplar mais serviços bancários em sua plataforma, como conta digital, com a meta de que até o fm do ano o cliente possa ter toda sua vida financeira concentrada ali, sem precisar, assim, ter uma conta em um grande banco.

A ideia por trás do novo cartão é colocar consumo e investimento lado a lado. Para isso, os usuários do cartão terão uma espécie de cashback, ou melhor, um ‘investback’, ao invés do tradicional programa de milhas comum dos cartões de crédito. Com ele, o cliente da XP que usar o cartão terá parte do gasto do cartão de volta, mas depositado em um fundo de investimento exclusivo da XP, com liquidez diária (para isso grande parte dos ativos devem ser aplicados em títulos do tesouro) e sem taxa de administração.

Fora isso, a XP já lançou seu marketplace, hoje com 25 lojistas, número que passará a 50 em breve. O objetivo é dar um impulso ao uso do cartão da plataforma. Nesses parceiros, o cashback poderá ser maior do que em compras realizadas fora. 

Em seu primeiro ano de companhia de capital aberto na Bolsa, o crescimento da XP foi superlativo, na esteira de taxas de juros muito baixas no Brasil que empurraram um número maior de brasileiros para investimentos em Bolsa de Valores, por exemplo. A XP fechou o ano com R$ 660 bilhões em ativos sob custódia e 2,8 milhões de clientes ativos, além de lucro líquido ajustado de R$ 2,27 bilhões, aumento de 111% em relação a 2019.

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