Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

''Vamos crescer no Brasil'', diz chefe do Citigroup

Em visita relâmpago ao País, Pandit destaca papel dos emergentes

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

20 de novembro de 2008 | 00h00

O presidente mundial do Citigroup, Vikram Pandit, afirmou ontem, em São Paulo, que o Brasil é um dos países prioritários para o banco. "Vamos fazer crescer a nossa operação brasileira e fazê-la mais eficiente", disse. Com essas palavras, ele tenta afastar os rumores de que estaria no País negociando a venda da instituição. "Minha vinda já estava programada. Nos últimos meses, visitei nossas operações mais importantes no mundo", explicou. Ele chegou ao Brasil terça-feira e foi embora ontem mesmo para os Estados Unidos. Pandit assumiu o comando do Citigroup em dezembro de 2007, no lugar de Charles Prince, que saiu em conseqüência das pesadas perdas no mercado de hipotecas de alto risco dos EUA (subprime). O banco continua lutando contra problemas e anunciou ontem a compra de US$ 17,5 bilhões em ativos para eliminar a exposição aos chamados veículos de investimentos estruturados (SIVs, na sigla em inglês), entidades fora de balanço, cuja criação na década de 1980 é atribuída ao próprio Citigroup. Pandit assumiu o cargo com a incumbência de arrumar a casa. Apesar da pressão - as ações do banco fecharam ontem no menor nível desde 1995 -, o indiano tenta aparentar tranqüilidade. Apresenta-se sorridente e mantém o bom humor mesmo diante de perguntas difíceis. Pandit relativiza sua tarefa e diz que, nos cerca de 200 anos de história do banco, houve outros momentos tão difíceis quanto o atual. "Cada geração teve o seu desafio."Nos últimos 11 meses, o Citigroup levantou cerca de US$ 85 bilhões em capital - US$ 25 bilhões vieram do governo americano, por meio do programa criado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson. Com isso, diz Pandit, o banco adentrará 2009 bem mais forte que estava no início deste ano. Mesmo assim, ele não se arrisca a prever quando o Citigroup voltará ao azul. Há quatro trimestres, a instituição apresenta prejuízos. "Nosso resultado é fruto de duas partes, a operacional e a de ativos. Na primeira, temos ido extraordinariamente bem. Mas, até que os ganhos da parte operacional não superem as perdas com esses ativos, não vamos ter lucro."BRASILEntre as medidas adotadas pelo Citi para melhorar o balanço está a demissão de 52 mil funcionários, anunciada pelo próprio Pandit no início da semana. Na visita a São Paulo, ele disse que a operação brasileira não deve ser incluída no programa. Pandit destacou a importância dos emergentes para o grupo. "Cerca de 35% do nosso negócio está nesses países", informou. "Nossa intenção é estar nos lugares onde nossos serviços são mais necessários, ou seja, nos países que crescem mais." Segundo ele, o banco fez uma série de revisões e decidiu acabar com operações que não se encaixavam nesse perfil. Citou como exemplo a Alemanha, onde o banco de varejo foi vendido em julho. A expectativa do Citi é que o Brasil cresça 2,8% no ano que vem, abaixo da média mundial, estimada entre 3% e 4%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.