Marcos de Paula / Agência Estado
Marcos de Paula / Agência Estado

‘Vamos ter de pedir dinheiro para o FMI', diz Monica de Bolle

Para economista, com o rebaixamento, País pode ter uma crise no balanço de pagamentos; ‘já vimos esse filme antes’

Entrevista com

Monica de Bolle

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2015 | 05h00

A economista Monica de Bolle acredita que o rebaixamento pela Fitch coloca o debate sobre dominância fiscal no centro do mercado. Ela avalia também que o Brasil pode entrar numa crise de balanço de pagamentos. “Podemos parar num País que vai ter uma crise de balanço de pagamentos e vai ter de pedir dinheiro ao FMI (Fundo Monetária Internacional). Nós já vimos esse filme antes. Várias vezes”, diz Monica, que também é pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Estado.

Qual é a consequência desse rebaixamento para o País?

O que realmente salta aos olhos é o que está ocorrendo com a inflação implícita para janeiro de 2017. Houve um aumento muito dramático. Para mim, isso é um sinal de dominância fiscal começa a entrar no cenário do mercado.

Por quê?

Na realidade, o que o ficou claro no anúncio da meta fiscal é que o governo não tem nenhum compromisso com o ajuste. O compromisso é zero. No fim das contas, dá no mesmo ter uma banda fiscal e não ter nenhuma. De certo modo, a solução, entre aspas, de curto prazo, acaba sendo mais inflação para não ter uma dinâmica da dívida muito ruim. Essa percepção do mercado é a que vai ganhar força ao longo dos próximos dias e semanas. Agora, vai ser difícil argumentar que não tem dominância fiscal.

E as consequências de médio prazo?

Sem clareza a respeito do que vai ocorrer com a trajetória fiscal, aparece um quadro muito difícil. O risco de um processo inflacionário fora de controle acoplado a uma eventual saída de recursos do Brasil – não só das pessoas e das instituições, que vão ter de tirar dinheiro do País por causa do rebaixamento, mas também dos investidores locais que resolvam simplesmente tirar dinheiro do País – me deixa menos confiante com a argumentação de que as reservas são altas e não há risco de se ter uma crise mais severa do lado do balanço de pagamentos. Se aumentar substancialmente o risco de o investidor local sair, não tem reserva que segure. É uma situação absolutamente trágica, porém, esperada diante das escolhas que esse governo veio tomando ao longo dos últimos 12 meses.

Se as mudanças não forem realizadas, como pode ficar a economia brasileira?

Podemos parar num país que vai ter uma crise de balanço de pagamentos e vai ter de vir pedir dinheiro ao FMI. Nós já vimos esse filme antes. Várias vezes. 

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