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Vamos trabalhar por meta de superávit de 3,8%, diz Mantega

Questionado se existia a possibilidade de reduzir a meta diante da crise, ele afirmou: 'Não temos definição'

Daniela Milanese, da Agência Estado,

13 de março de 2009 | 17h09

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira, 13, que o governo trabalha para manter a meta de superávit primário, de 3,8%, usando as margens de flexibilidade disponíveis. Questionado se existia a possibilidade de reduzir a meta diante da crise, ele afirmou: "Ainda não temos definição". Ministro participa do encontro preparatório do G-20, que reúne países ricos e emergentes.

 

Segundo Mantega, se for usado o Programa Piloto de Investimentos (PPI), que permite a exclusão de alguns aportes da conta, o compromisso seria de 3,3%. Além disso, ainda é possível utilizar o Fundo Soberano. O ministro afirmou que a tendência é valorizar mais a meta de déficit nominal, de 2,5% para 2009, considerada mais abrangente. No ano passado, esse número ficou em 1,5%.

 

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Durante o encontro, Mantega disse que os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) são contra aportes adicionais no Fundo Monetário Internacional (FMI) enquanto não for feita uma reforma nas cotas da instituição. A posição foi fechada hoje. "Há um desequilíbrio de participação no fundo", disse há pouco o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os emergentes vêm apontando a necessidade de reequilíbrio na governança global, de forma que tenham um papel mais condizente com o status econômico obtido nos últimos anos.

 

Atualmente, o FMI dispõe de US$ 250 bilhões, mas precisa de um capital de US$ 500 bilhões para atender as demandas impostas pela crise. Segundo Mantega, para que esse valor seja atendido, cada Bric teria de colocar cerca de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões. "Os Brics não concordam e tomaram a posição de não fazer aporte adicional de recursos no FMI enquanto não houver reforma de cotas e vozes."

 

A nova distribuição de cotas do fundo está prevista para o início de 2011. Mantega defende que essa revisão seja antecipada. "Não vejo a possibilidade de mudar a representação agora nesta reunião do G-20, mas se houver vontade política isso pode acontecer nas próximas."

 

Ele vê a necessidade de aumento dos fluxos financeiros para os países que enfrentam falta de recursos diante da crise. Conforme o ministro, isso pode ser feito não somente por meio do FMI, mas por mecanismos paralelos ou acordos bilaterais.

 

Política fiscal

 

Os países do Bric concordaram em fazer uma política fiscal mais ativa para combater a crise global. A ideia é elevar os investimentos em infraestrutura e colocar em prática programas de reconstituição do crédito, estímulo setorial e ajuda social, como o auxílio a desempregados.

 

"Os países concordaram que o resultado fiscal seja menos favorável em 2009", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, é importante que as nações depois coloquem metas para reconstituir o desempenho nos próximos anos. "É tolerável um resultado menos bom em dois anos, com um reequilíbrio depois."

 

No entanto, os Brics não conseguiram fechar uma posição sobre o tamanho do estímulo fiscal a ser implementado em cada país. O Reino Unido está propondo que os pacotes sejam de 2% do PIB. Para Mantega, isso seria colocar "uma camisa de força". "Dois por cento % é bastante e talvez o Brasil não precise chegar (nesse porcentual)."

 

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