Vantagens Multiplicadas
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Vantagens Multiplicadas

A adoção da energia solar é positiva para o meio ambiente e para a imagem das empresas

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2021 | 08h00

Os investimentos em energia solar estão alinhados às demandas da emergência climática e à disseminação que o conceito de ESG (Ambiental, Social e Governança) alcançou ao longo deste ano nos mercados corporativo e financeiro do Brasil. “Além de todas as vantagens, ainda tem mais essa: a energia solar é extremamente positiva para a imagem de quem investe nela e para os indicadores de ESG de uma empresa”, lembrou, durante o debate promovido pelo Estadão, o professor Marcus Nakagawa, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS).

Alinhada com essas tendências, a Equinor Brasil definiu que a energia solar estaria entre as prioridades de investimentos. No final de 2018, a empresa inaugurou seu primeiro complexo fotovoltaico no País – em Apodi (CE) –, que foi também o primeiro empreendimento do gênero no portfólio global da companhia. No ano passado, a Equinor adquiriu participação acionária na Micropower, especializada no desenvolvimento de sistemas de armazenamento de energia.

“A gente aposta na modernização do setor elétrico brasileiro”, disse Alexandre Franceschi, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Energia Renovável da Equinor. Ele acrescentou que a empresa considera positiva a perspectiva de abertura do mercado brasileiro para novas formas de comercialização de energia, como o mercado livre. “São caminhos para fomentar a concorrência e dar acesso mais barato à energia para os consumidores.”

Franceschi contou que, como parte do caminho para cumprir a meta de zerar as suas emissões até 2050, a Equinor estabeleceu o objetivo de que metade de todos os investimentos da empresa em 2030 esteja ocorrendo em energias renováveis. Ele citou, também, os possíveis obstáculos que podem retardar a expansão da energia solar no Brasil. “Os principais riscos são as dificuldades de conexão ao sistema integrado e a falta de regulação específica”, apontou o executivo da Equinor. “Como a energia solar é nova na matriz, a regulamentação precisa ser acelerada para dar mais conforto aos investidores.”

Mercado equilibrado

Considerada uma concorrente natural da energia eólica (produzida pela força dos ventos), a energia solar está levando vantagem na disputa. “Os investimentos anuais em energia solar no mundo chegaram a US$ 149 bilhões, ante US$ 125 bilhões em eólica”, compara José Mauro de Morais, pesquisador do Ipea. Outra vantagem da modalidade, ele aponta, é a maior geração de empregos: estima-se que a energia solar já tenha criado 3,7 milhões de vagas ao redor do planeta, ante 1,2 milhão decorrente da exploração da energia eólica.

Dos empregos gerados pela energia solar, 312 mil foram no Brasil. “São postos qualificados, incluindo muitos engenheiros e outros profissionais de nível superior, com a vantagem adicional de estarem espalhados por todo o Brasil, muitas vezes em regiões pobres”, ressalta Koloszuk, da Absolar.

O barateamento das tecnologias de energia solar pode representar, também, uma saída para 800 milhões de pessoas ao redor do planeta que não dispõem de energia em casa. Só na Amazônia Legal, estima-se que 300 mil pessoas vivam nessa condição, muitas das quais recorrem à energia gerada por motores a diesel, solução altamente poluente. 

Há dificuldades técnicas e financeiras para viabilizar baterias capazes de armazenar a energia solar captada ao longo do dia, o que faz com que parte dessa produção se perca quando não é imediatamente utilizada. Outra preocupação referente ao tema é a futura destinação das baterias após o uso: seria contraditório, para uma modalidade de energia limpa, gerar um passivo ambiental de difícil solução, ainda que os efeitos disso sejam bem menos prejudiciais do que a emissão de gases poluentes na atmosfera decorrente da queima de combustíveis fósseis. Para Koloszuk, o Brasil tem a grande oportunidade de não depender das baterias como solução para o armazenamento, desde que consiga planejar a matriz de forma integrada. “As hidrelétricas poderiam ser a nossa grande ‘bateria’. Se o País incentivasse fortemente as novas fontes renováveis de energia, a água das hidrelétricas poderia ser guardada para momentos de necessidade, como este que estamos enfrentando agora”, propõe o executivo da Absolar. Nesse cenário, as hidrelétricas, fontes de energia renovável e limpa, fariam o papel de backup que hoje é feito pelas termelétricas, fontes poluentes e bem mais caras.

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