Varejistas continuam céticos sobre Apple Pay

Nove meses após o lançamento do sistema de pagamento móvel da Apple nos EUA, donos de estabelecimentos resistem e citam baixa demanda

O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2015 | 02h06

Em uma teleconferência com investidores em janeiro, o presidente executivo da Apple, Tim Cook, fez uma previsão confiante: "2015 será o ano do Apple Pay", afirmou, citando o sistema de pagamento móvel, lançado pela companhia em setembro do ano passado.

Desde então, a companhia vem cortejando varejistas agressivamente. "Falamos com todas as 100 maiores varejistas nos EUA, e cerca de metade aceitará o Apple Pay neste ano, com muitas mais no ano que vem", disse recentemente um porta-voz da companhia.

No entanto, entrevistas com analistas, empresas e outros sugerem que a previsão da Apple pode ser otimista demais, e muitos varejistas continuam céticos sobre o sistema de pagamento.

Pesquisa. Para avaliar o progresso da Apple, analisou-se a lista das 100 maiores varejistas dos EUA da Federação Nacional do Varejo, consultando as 98 que têm lojas físicas (duas das 100 maiores vendem apenas via internet). Oitenta e cinco forneceram respostas detalhadas, e 11 apenas deram informações se aceitam ou não o Apple Pay. Duas não responderam.

Apesar de algumas das maiores lojas dos EUA terem dito que usam e gostam do sistema de pagamento, menos de um quarto das varejistas disseram que atualmente aceitam o Apple Pay, e quase dois terços das redes afirmaram categoricamente que não aceitarão o sistema este ano. Apenas quatro companhias disseram ter planos de se juntar ao programa no ano que vem.

As principais razões citadas por varejistas para não aceitar o Apple Pay são a demanda insuficiente de consumidores, falta de acesso aos dados gerados em transações do Apple Pay e custo da tecnologia para facilitar os pagamentos. Algumas empresas disseram que não estão adotando o sistema pois planejam participar de um novo sistema de pagamentos móveis, chamado CurrentC, que será lançado por uma coalizão de varejistas americanos, entre eles o Walmart, mais tarde neste ano.

Tamanho. Estatísticas sobre pagamentos móveis são difíceis de se obter. Mas analistas concordam que trata-se de apenas uma pequena parcela das transações.

Uma pesquisa online conduzida pela Verifone e Wakefield Research, lançada em janeiro deste ano, concluiu que pagamentos móveis respondiam por 4% das transações feitas em lojas nos EUA.

Na semana passada, o Google relançou seu serviço de pagamento móvel, rebatizando-o de Google Wallet para Android Pay. O sistema rebatizado chegará pré-instalado em aparelhos das operadoras AT&T, Verizon e T-Mobile, sendo aceito por cerca de 700 mil lojas nos EUA. /REUTERS

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