Varejo acelera pedidos para travar preço

Lojas de eletrônicos temem que o dólar se estabilize num nível alto; há indústrias que admitem reajuste de cerca de 10% nas tabelas de outubro

MÁRCIA DE CHIARA, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h05

O temor de que a indústria de eletrônicos, eletroportáteis, telefones celulares e computadores aumente em cerca de 10% o preço dos produtos - por causa da alta do dólar - provocou nos últimos dias uma corrida do varejo para fechar os pedidos de fim de ano e travar o valor das encomendas. A alta de quase 14% do dólar em relação ao real registrada neste mês reverteu o adiamento do pedidos, movimento que ocorria no início de setembro.

"Nós já tínhamos fechado a programação de compras para o fim de ano com todos os fornecedores, mas o que fizemos nos últimos dias foi colocar ordens de compra firmes", conta Gladimir Somacal, diretor de compras das Lojas Colombo, com 320 lojas espalhadas entre Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e interior de São Paulo.

Ele relata que cerca de 70% dos pedidos estão sendo antecipados e envolvem as encomendas de colchões de espuma - cujos preços sofrem a influência do petróleo e do dólar - e de eletrônicos, eletroportáteis e computadores. Somacal explica que o movimento ocorreu com a intenção de segurar os preços com a cotação do dólar mais baixa. É que 90% dos componentes usados na fabricação de televisores de tela fina, por exemplo, são importados. Mesmo que a indústria já esteja com esses componentes em casa para fabricar os aparelhos para o Natal, a conta que os fabricantes fazem é o custo de reposição desses itens, agora com um dólar mais alto.

Wilson Périco, presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus, que concentra a produção de aparelhos de áudio e vídeo, diz que não tem informações a respeito da aceleração dos pedidos por parte dos varejistas. "Essa é uma informação interna das empresas."

Braço de ferro. Duas indústrias de eletrônicos e portáteis confirmam, no entanto, a corrida dos lojistas para fechar os pedidos e travar preços. De acordo com um dos executivos, que prefere o anonimato, o reajuste dos preços desses produtos em reais será da ordem de 10% e deve bater na porta do lojistas já no mês que vem. "Agora deve ocorrer um braço de ferro entre o varejo e a indústria", prevê o executivo. O movimento ganha força especialmente nas linhas de áudio e vídeo, que prometem ser as vedetes deste Natal por causa das inovações tecnológicas.

Outro executivo da indústria, que também prefere o anonimato, relata que no seu caso a tendência é manter os preços nos próximos meses, apesar da elevação do dólar. "Nosso estoque está alto e não podemos perder o bonde do final de ano", lembra. A saída, segundo ele, será encolher as margens de comercialização. Entre os fatores apontados por ele para a manter os preços em reais está a forte concorrência entre as redes varejistas, que agora ficaram mais concentradas do que antes. Isso aumenta o poder de fogo nas negociações.

"Não acredito que haja espaço para aumento de preços. Estamos comprando e repondo normalmente", afirma Arab Chafic Zakka, diretor da Preçolândia, rede com 14 lojas, que revende eletroportáteis, brinquedos e utilidades domésticas.

A Eletros, associação que reúne os fabricantes de eletrodomésticos, portáteis e eletrônicos, não comenta questões de negociações entre varejo e indústria. De toda forma, as estimativas da entidade mostram que as linhas de áudio e vídeo e de portáteis devem registrar as maiores taxas de crescimento no ano, na casa de 10%, enquanto os eletrodomésticos vão crescer até 7%.

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