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Varejo acirra guerra para ?laçar? consumidor

O consumidor usou o crédito pessoal este ano para ?trocar? dívidas, não para ir efetivamente às compras. De certa forma, esse comportamento do consumidor até o momento explica, em parte, o esforço e a expectativa dos bancos, das lojas e das administradoras de cartão de crédito de ?laçar? clientes neste fim de ano para comprar a prazo, já que a renda continua deprimida e o nível de desemprego elevado. Com cenário macroeconômico mais favorável previsto para os próximos meses, quem ganha dinheiro vendendo a prazo ou concedendo crédito vai tentar recuperar no último trimestre as perdas registradas até agora.De janeiro a agosto, o volume de financiamento destinado à pessoa física, descontada a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou praticamente estável ante igual período do ano anterior, com acréscimo de apenas 0,7%, segundo os cálculos da Serasa, empresa especializada em informações econômico-financeiras para os bancos. Enquanto isso, nos primeiros 7 meses de 2003, as vendas do comércio varejista registraram queda de 5,42% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com os cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Consumo não recebeu recursos do crédito?Esta é uma evidência de que o crédito não foi para o consumo?, afirma o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida. Ele explica que os consumidores usaram o dinheiro obtido em uma linha de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), por exemplo, cuja taxa é menor, para quitar dívidas do cheque especial, que tem juros mais elevados. Estudo realizado pela Serasa mostra que 2003 está sendo o pior ano para o crédito desde 2000, quando o saldo dos financiamentos destinados a pessoas físicas, descontada a inflação, cresceu 60% na comparação com 1999. Análise realizada pela consultoria Boanerges & Cia confirma essa avaliação. O saldo do crédito destinado a pessoas físicas registrado no Banco Central (BC), que leva em conta os créditos formais na economia ? exclui o cheque pré-datado ? iniciou 2002 crescendo a uma taxa de 32,2% sobre o ano anterior. Em 2003, a taxa de crescimento em janeiro foi de 7,8% na comparação anual. ?O fundo do poço foi atingido em maio deste ano, quando a taxa de crescimento anual recuou para 7,2% ante o ano anterior?, ressalta Freire. No mês passado, a taxa de crescimento anual do saldo subiu para 9,8%. ?Até o fim do ano, essa taxa de variação deve oscilar entre 12% e 13%?, prevê o consultor.Inadimplência em quedaA recuperação do crédito já captada nos números da carteira de financiamento do segundo semestre, e que deve ganhar força daqui para frente com as consecutivas quedas nos juros básicos, ganha força também por conta do arrefecimento da inadimplência neste ano. Almeida, da Serasa, ressalta que, de janeiro a agosto de 2003, o indicador de inadimplência elaborado pela instituição cresceu 5,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Já entre janeiro e agosto de 2002, o acréscimo no índice de inadimplência havia sido de 30,1%. ?A inadimplência está crescendo a taxas menores neste ano, porque reflete o baixo nível de atividade?, explica o consultor.RiscoAlmeida pondera, no entanto, que o crédito mais barato e com prazos alongados neste fim de ano, que é o grande apelo deste Natal, é arriscado. ?Se as lojas e os bancos não concederem bem o crédito neste trimestre, com critério, pode ocorrer um repique da inadimplência no início de 2004?, adverte. Com isso, 2004 poderá repetir o início deste ano, quando o consumidor teve de evitar compras porque assumiu dívidas além da conta no fim do ano passado.Para Freire, da Boanerges & Cia, o deslanche das vendas a prazo que deverá ocorrer nos próximos meses, induzido em boa parte pelo governo, não é consumismo. ?O crédito é um forte indutor do crescimento econômico saudável?, afirma. A questão é concedê-lo com critério, pondera. Ao contrário do período logo após a estabilização da economia, quando o consumidor perdeu o controle das suas finanças porque não tinha experiência de comprar a prazo, hoje ele pesquisa preço e está atento às melhores ofertas.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2003 | 22h41

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