Taba Benedicto/Estadão - 22/7/2021
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Vendas do varejo têm alta de 1,2% em julho e atingem patamar recorde

Crescimento, no entanto, não é homogêneo e a maioria dos segmentos pesquisados ainda está abaixo do nível pré-pandemia, segundo o IBGE

Daniela Amorim , O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2021 | 09h21
Atualizado 10 de setembro de 2021 | 13h27

RIO - Impulsionado pelo comércio eletrônico e pela maior circulação de consumidores, o varejo brasileiro mostrou fôlego em julho. Após um crescimento de 1,2% em relação a junho, o volume vendido alcançou patamar recorde na série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada no ano 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Após uma revisão nos dados do mês anterior, que saíram de uma queda de 1,7% para uma alta de 0,9% devido ao modelo estatístico de ajuste sazonal, o varejo passou a mostrar uma trajetória de quatro meses de avanços consecutivos, período em que acumulou um ganho de 8,1%. O crescimento, porém, não é homogêneo entre as atividades pesquisadas, ponderou Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE. “A maioria das atividades ainda está abaixo do patamar pré-pandemia”, ressaltou Santos.

Segundo ele, as atividades que conseguiram se adaptar mais facilmente ao comércio eletrônico conseguem um desempenho melhor, como a de outros artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui as lojas de departamento. A expansão do crédito e o aumento da população ocupada no mercado de trabalho também favorecem o crescimento de segmentos varejistas, enquanto a alta na inflação e a queda na renda das famílias ainda atrapalham os negócios, apontou Santos.

Em julho, o volume de vendas do varejo superou em 5,9% o nível de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, as vendas subiram 1,1% em julho ante junho, passando a operar 3,2% acima do pré-pandemia.

No entanto, apenas os segmentos de outros artigos de uso pessoal e doméstico, produtos farmacêuticos, material de construção e supermercados estão vendendo acima do patamar pré-crise sanitária. Os demais estão abaixo: veículos, móveis e eletrodomésticos, vestuário, combustíveis, equipamentos de informática e papelaria.

O crescimento de julho é surpreendente, mas insuficiente para melhorar o humor sobre o desempenho do comércio nos próximos meses, opinou o economista-chefe do Banco Alfa, Luis Otavio de Souza Leal. Ele acredita que haja pouco espaço para uma melhora significativa em decorrência da reabertura de estabelecimentos, enquanto fatores macroeconômicos também impedem um cenário mais animador.

“A inflação alta em alimentos e energia diminui a renda disponível, pois são itens que pesam muito na cesta de consumo”, explicou Leal. “O mercado de trabalho patina, com renda fraca, e os juros estão mais altos, o que encarece o crédito. É difícil ser mais otimista com os dados de consumo e, consequentemente, com o comércio nos próximos meses.”

As vendas do varejo devem permanecer em crescimento no restante do ano, embora limitado por pressões no orçamento familiar, inflação e condições ainda difíceis do mercado de trabalho, corroborou Isabela Tavares, analista da Tendências Consultoria Integrada.

“Para 2022, menores pressões inflacionárias, aceleração do mercado de trabalho e ampliação do crédito apontam para crescimento adicional do comércio varejista. Entretanto, como fator de risco, destacam-se as incertezas relacionadas ao cenário político, que tem potencial de prejudicar a atividade econômica”, ponderou Isabela.

Após a divulgação dos dados do IBGE, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aumentou sua projeção para o crescimento do varejo em 2021, de 4,5% para 4,9%, o que representaria o maior avanço anual desde 2012.

“A tendência de médio prazo é de que, com a desaceleração consistente da crise sanitária, as vendas sigam reagindo predominantemente em função da diminuição do isolamento social decorrente do avanço da vacinação da população, o que, consequentemente, reduz as chances de novos decretos restritivos à atividade comercial”, escreveu o economista Fabio Bentes, da CNC, em relatório. / COLABOROU GUILHERME BIANCHINI

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