Varejo de São Paulo prevê a maior alta no faturamento desde 2003

Estimativa da Federação do Comércio é de crescimento de até 5,5% neste ano em relação ao ano passado

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

O faturamento do comércio varejista da Região Metropolitana de São Paulo, o principal mercado consumidor do País, deve fechar o ano com crescimento entre 5% e 5,5% em relação a 2006, segundo estimativas do presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Abram Szajman.Se as projeções se confirmarem, o varejo encerrará o ano no mesmo ritmo do Produto Interno Bruto (PIB) e com o melhor desempenho desde 2003. De janeiro a outubro, o faturamento real do comércio (descontada a inflação) aumentou 6,2% ante o mesmo período de 2006. Para o Natal, a expectativa é de um acréscimo real de 5% a 6% nas vendas ante 2006."O desempenho do comércio neste ano superou a nossa expectativa inicial, que era de um crescimento de 4%", diz Szajman. Ele atribui o resultado à ampliação dos prazos de pagamento, queda nas taxas de juros, recuperação da renda e do emprego e ampliação dos importados, que reduziram os custos. O empresário não acredita que o endividamento de longo prazo possa pôr em risco esse ciclo de expansão do consumo, com alta da inadimplência.De toda forma, os números da Fecomércio mostram que o calote continua elevado. Cerca de 38% do endividados estavam inadimplentes na Região Metropolitana de São Paulo em novembro. Esse é o mesmo índice de outubro. Em relação a novembro de 2006, o indicador é quatro pontos porcentuais mais elevado (38%).Szajman acredita que o índice de endividamento do paulistano, que hoje está em 54% e é o mais baixo desde julho de 2006 (52%), deve aumentar no ano que vem, em razão da grande oferta de crédito. Mas ele não aposta no aumento da inadimplência em razão do alongamento dos prazos de financiamento. Além disso, ele pondera que existe hoje um processo de ascensão social, com a entrada de novas classes no mercado de consumo. Esse movimento é outro fator que, ao lado da recuperação do emprego e da renda, deve fortalecer as vendas do comércio no ano que vem.ESTRELAAs concessionárias de veículos foram as que tiveram o melhor crescimento de vendas neste ano. O faturamento real já cresceu 16,2% de janeiro a outubro, ante 2006. Segundo a Fecomércio, o crédito para compra de veículos cresceu 30% em 2007.Depois dos veículos, as lojas de materiais de construção foram as que tiveram melhor desempenho no ano, com alta de 15,7% nas receitas. De acordo com a Fecomércio, é uma alta bem significativa, uma vez que, em 2006, esse segmento ampliou o faturamento em 4,8%. Além das facilidades do crédito, a redução nos impostos sobre esses itens diminuiu o preço e ampliou a venda.Dos nove segmentos pesquisados pela entidade, apenas dois acumulam queda no faturamento neste ano e devem encerrar 2007 no terreno negativo. As vendas das lojas de autopeças caíram mais de 20% até outubro em razão da compra de veículos novos. No caso dos supermercados, o recuo foi de 2,5% em igual período. Szajman diz que a alta dos preços dos alimentos espantou o consumidor.

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