Wilton Junior/Estadão
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Com greve dos caminhoneiros, varejo tem segunda queda consecutiva

Varejo registrou queda de 0,3% em junho frente a maio; no segundo trimestre, vendas desaceleraram para alta de 0,7%s, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2018 | 09h12

As vendas do varejo em junho caíram 0,3% em relação a maio, chegando ao segundo resultado negativo consecutivo. A perda acumulada de 1,5% nesses dois meses é atribuída aos efeitos da greve dos caminhoneiros.

Já no segundo trimestre, as vendas apresentaram avanço ante os três meses anteriores, de acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgados na manhã desta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expansão foi de 0,7%, ficando dentro das estimativas dos analistas. No acumulado do ano, as vendas sobem 3,6%.

O desempenho representa uma ligeira desaceleração ante o ritmo de crescimento verificado no primeiro trimestre do ano, que foi de 1,10% (na série com ajuste sazonal). Já na análise contra igual período do ano passado, houve alta de 1,6%.

A paralisação dos caminhoneiros, que resultou em bloqueios de estradas de todo o País durante 11 dias do mês de maio, ainda prejudicou o desempenho do varejo em junho, contou Isabella Nunes, gerente na Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

"Ainda teve efeito da greve em junho, mas concentrado em alguns setores, como supermercados. Tem a ver com o adiantamento de compras que aconteceu em maio e com uma própria perda de receita em junho, porque nas primeiras semanas provavelmente os supermercados não estavam totalmente abastecidos de perecíveis. Isso afetou o resultado geral do varejo", explicou Isabella.

Com as perdas de maio, as vendas do comércio varejista estão 7,7% abaixo do pico registrado em outubro de 2014. No varejo ampliado, o volume vendido está 14% aquém do ápice alcançado em agosto de 2012.

No varejo ampliado, o resultado melhorou em relação ao mês anterior, graças à forte recuperação registrada pelas vendas de veículos e de material de construção, que compensaram a perda de supermercados na média global das vendas.

No entanto, houve perda no ritmo de recuperação das vendas tanto do varejo restrito quanto do ampliado. Os avanços no segundo trimestre foram mais modestos que os registrados no primeiro trimestre, tanto na comparação com ajuste sazonal quanto na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Segundo Isabella, houve impacto da greve de caminhoneiros sobre o desempenho do comércio varejista no segundo trimestre, mas a conjuntura desfavorável também explica a perda de ritmo.

"Os índices de confiança do consumidor ficaram baixos em junho, provavelmente, por causa do mercado de trabalho, mas também por uma percepção da crise", lembrou Isabella. "A evolução [lenta] do mercado de trabalho de certa forma vem assustando também os consumidores. Isso acaba por deixar o consumo mais lento, adiar o consumo de longo prazo", completou.(Daniela Amorim

Queda em junho

O comércio varejista teve disseminação de resultados positivos entre as atividades pesquisadas na passagem de maio para junho, mas a forte queda no volume vendido por supermercados e por combustíveis levou a taxa global do mês a uma queda de 0,30%, observou Isabella Nunes.

As vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caíram 3,5%, interrompendo dois meses de taxas positivas, enquanto os Combustíveis e lubrificantes encolheram 1,9%, o segundo recuo seguido.

"A queda do varejo em junho foi provocada por supermercados e combustíveis", disse Isabella. As duas atividades respondem juntas por mais da metade das vendas do varejo. Os supermercados têm um peso de 45,6% na pesquisa, enquanto a fatia dos combustíveis é de 11,8%.

Por outro lado, houve crescimento em cinco das oito atividades investigadas em junho ante maio: Móveis e eletrodomésticos (4,6%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,1%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,6%), Tecidos, vestuário e calçados (1,7%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,9%).

A atividade de Livros, jornais, revistas e papelaria registrou estabilidade nas vendas. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, as vendas cresceram 2,5%. O volume vendido por veículos e motos, partes e peças subiu 16,0% em junho ante maio, enquanto o setor de material de construção teve expansão de 11,6%.

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