Varejo e confiança do consumidor melhoram nos EUA

Os consumidores norte-americanos aumentaram seus gastos em novembro e estão mais otimistas neste mês, mostraram dados nesta sexta-feira, motivando esperanças de que uma recuperação econômica autossustentável está começando a ocorrer.

LUCIA MUTIKANI, REUTERS

11 de dezembro de 2009 | 15h19

O Departamento de Comércio informou que as vendas totais no varejo cresceram 1,3 por cento no mês passado, no maior ritmo desde agosto, após subirem 1,1 por cento em outubro. Foi a segunda alta mensal seguida, superando as expectativas do mercado, que apontava um crescimento de 0,7 por cento.

Um relatório separado mostrou que a confiança do consumidor melhorou no início de dezembro na esteira de sinais de estabilização no mercado de trabalho.

"A melhora na confiança é um complemento às boas vendas no varejo. Ela (a melhora) sugere que o consumidor está lentamente voltando às compras", disse Alan Gayle, estrategista sênior de investimento da Ridgeworth Investments, em Richmond, Virgínia.

A pesquisa sobre confiança do consumidor realizada pela Reuters/Universidade de Michigan apontou na prévia de dezembro que a confiança do consumidor subiu para 73,4, nível bem próximo da máxima do ano atingida em setembro.

O número veio acima do dado de novembro (67,4) e superou as projeções de economistas (68,5).

Os números arrefeceram preocupações de que a retomada da economia possa ser hesitante por conta da fraqueza nos gastos de consumidores.

CONSUMIDORES AUMENTAM GASTOS

As vendas em novembro como um todo foram impulsionadas por gastos com combustível, aumento nas compras de veículos automotores e autopeças, materiais de construção e eletroeletrônicos entre outros.

"Os números foram uma grata surpresa. Os consumidores estão começando a gastar um pouco mais do que o que tem gastado e isso vai ser uma importante base para um crescimento sustentável", avaliou David Resler, economista-chefe da Nomura Securities International, em Nova York.

Apesar da leve queda nos preços da gasolina no final de novembro frente ao mesmo período de outubro, as vendas em postos de combustível saltaram 6 por cento, maior alta desde junho.

Comparadas a novembro do ano passado, as vendas gerais no varejo subiram 1,9 por cento, primeiro ganho anual desde agosto de 2008, informou uma autoridade do Departamento de Comércio.

Alguns analistas disseram que os dados inesperadamente forte podem causar problemas ao Federal Reserve. O Fed, que se reúne na próxima semana, tem se comprometido a manter as taxas de juros perto de zero por um "período prologado", enquanto observa se a recuperação ganha fôlego.

"O grande quadro... é que a retomada parece estar mais a caminho. A combinação de um melhora no mercado de trabalho e nos gastos dos consumidores é um forte sinal de que não estamos nesse momento entrando cenário de recuperação em 'W'", considerou Torsten Slok, economista sênior do Deutsche Bank, em Nova York.

"Definitivamente, há um significante risco aqui de que teremos uma recuperação mais forte que a que Fed e o mercado estão esperando. Isso provavelmente causará dores de cabeça... e o que está no centro do radar é quando devemos mudar o discurso de 'período prolongado'."

Excluindo veículos automotores e autopeças, as vendas no varejo cresceram 1,2 por cento, maior alta desde janeiro, após terem ficado estáveis em outubro.

Outro relatório do governo mostrou que os estoques empresariais inesperadamente subiram em outubro, primeiro avanço em mais de um ano.

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