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Varejo eletrônico prevê faturamento recorde de R$ 8,5 bi

Vendas pela internet vão muito além de CDs, DVDs e livros e devem crescer 35% este ano em relação a 2007

Alberto Komatsu e Alessandra Saraiva, RIO, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2008 | 00h00

Com apenas 13 anos de existência, o varejo eletrônico deve alcançar faturamento digno de empresas do mundo real: R$ 8,5 bilhões, um aumento de 35% em relação a 2007. A estimativa é da empresa de informações de comércio eletrônico E-bit, ligada à Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, principal entidade multissetorial da economia digital na América Latina.O resultado histórico é fruto da mudança de hábito do consumidor, que aumentou seu gasto médio, com a queda de 12% nos preços dos produtos vendidos pela internet, gerada pela desvalorização do dólar. Amanhã o E-bit, que acompanha semestralmente o setor, divulgará o balanço da primeira metade do ano. Estudo da E-bit mostra que a média de gasto individual dos consumidores do varejo virtual foi de R$ 324 no primeiro semestre. Em igual período de 2007 era de R$ 298. "Só compro pela internet. Sou internauta desde 1998. Já tive problemas, como produtos com defeito, mas nem no mundo físico as coisas são 100%", diz o designer Alexandre Grand, de 35 anos. CDs e DVDs foram os primeiros produtos. Agora, até camisa ele compra. "Nem sempre tenho tempo para ir à loja do mundo real."A deflação de dois dígitos no comércio eletrônico foi apurada pelo Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar- Fia), da USP, no período de 12 meses até junho. Já o custo de vida medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 6,06%."O aumento do gasto médio do consumidor na internet ocorre porque eles passaram a comprar produtos de maior valor, não se limitando aos CDs, livros ou DVDs", afirma o diretor-geral da E-bit, Pedro Guasti. Com esse cenário, duas gigantes do varejo, Casas Bahia e Wal-Mart confirmam planos de criar portal de vendas ainda este ano. Segundo Guasti, 11,5 milhões de consumidores compraram pelo menos um item na internet até junho. Isso representa em torno de 25% do total de internautas no País, afirma o diretor da E-bit. "Há quatro anos tenho hábito de comprar pela internet, normalmente CDs, DVDs e livros, mas já comprei TV e até um canhão de efeitos especiais que solta papel picado", conta o analista de marketing da Claro, Luiz Fernando Martins.O plano das Casas Bahia foi anunciado em setembro pelo diretor-executivo da rede, Michael Klein. A idéia era lançar o portal quando a empresa alcançasse base de 4 milhões de clientes com cartão de crédito com a bandeira da rede, o que justificaria o investimento.As Casas Bahia, voltada prioritariamente à classe C, já contam com 4,1 milhões de clientes com cartão de crédito da rede, ou 13% do total de consumidores cadastrados. A empresa anuncia que o portal será lançado até o fim deste ano. O foco da Wal-Mart é na venda de produtos eletroeletrônicos. O mercado aguarda também o portal de vendas do Carrefour, que em junho inaugurou um site para pacotes de viagens da Turismo Carrefour. A empresa não quis se pronunciar.O bom cenário para as compras pela internet também foi sentido pela Business to World (B2W) Companhia Global de Varejo, resultante da aquisição pela Americanas.com do portal eletrônico Submarino. No primeiro semestre, o crescimento da receita bruta foi de 39%, em relação a igual período em 2007, atingindo R$ 2,1 bilhões. A Americanas iniciou entrada no e-commerce em 1999 e hoje conta com 10 milhões de usuários e 20 mil empresas. Sua atuação abrange três portais de comércio eletrônico: Americanas.com; Shoptime e Submarino. Em apresentação dos resultados da empresa, o diretor financeiro e de relações com investidores, José Timóteo Barros, disse que o crescimento de vendas decorre basicamente da combinação de dois fatores: uma entrada forte de novos clientes, e o trabalho para ampliar a freqüência de uso do serviço na base de usuários.Barros comentou que os resultados vieram "ligeiramente acima" do esperado e que não espera desaceleração no ritmo de vendas para o segundo semestre, mesmo num cenário com taxas de juros mais elevadas. "Das nossas vendas, 80% são no cartão de crédito e 20% à vista. Desses 80%, de 90% a 95% são compras feitas sem juros", disse. Para ele, mudanças na taxa de juros não modificam as boas perspectivas da companhia com as compras pela internet para os próximos meses. A Globex Utilidades S.A., da rede Ponto Frio, também está atenta ao desenvolvimento das vendas eletrônicas. No início deste mês, anunciou uma reestruturação das atividades de comércio eletrônico. Todas as atividades nesse setor serão exercidas por uma empresa independente chamada Pontofrio.com Comércio Eletrônico S.A., ou Pontofrio.com, da qual a Globex deterá quase a totalidade do capital social. Desde 1997 a empresa atua em venda online.Segundo o diretor-presidente da Pontofrio.com, German Quiroga, a decisão visa o desenvolvimento das atividades de comércio eletrônico da empresa. No primeiro semestre, a receita bruta do Ponto Frio com vendas na internet subiu 15,9% ante igual período de 2007, alcançando R$ 92,4 milhões. "O caminho multicanal de vendas passa pela Internet", disse. NÚMEROS11,5 milhõesé o total de internautas que comprou pela internet este anoR$ 324é o valor médio individual gasto com compras online no primeiro semestre25 %dos internautas fazem compras virtuais

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