Varejo espera ajuda do câmbio para vender mais

Executivos de redes varejistas acreditam que o dólar no patamar de R$ 3,20 pode melhorar o desempenho das vendas na Black Friday e no Natal

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2016 | 20h00

Setor que mais perdeu vendas na crise, o varejo de eletroeletrônicos deve ser ajudado no final deste ano pelo atual patamar de câmbio. Executivos esperam que a baixa recente do dólar, para a casa dos R$ 3,20, ajude a compor os estoques e melhorar as vendas no último trimestre.

“O ambiente de negociação fica mais favorável do que tínhamos no fim do ano passado, quando o dólar estava chegando a R$ 4”, disse o presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano. As negociações, afirmou, podem permitir que indústria e varejo façam acordos que resultem em promoções mais atraentes para o consumidor, sobretudo na Black Friday, mas também no Natal.

O dólar mais barato reduz a pressão de custo de uma série de equipamentos, em especial os de tecnologia, como smartphones, computadores e tablets.

Por mais que haja potencial para um custo de mercadoria mais baixo, o varejo não espera ganho de margens. A expectativa é de que o câmbio ajude a recompor as margens da indústria e, do lado do varejo, isso significa uma mesa de negociação menos tensa e mais disponibilidade de produtos em estoque.

“O câmbio anima mais o fornecedor, mas nos ajuda porque o medo da volatilidade cambial que vivemos em outros momentos fez os fornecedores elevarem preços, e isso prejudicou as vendas”, disse Claudia Elisa Soares, presidente da Fnac.

As vendas de eletroeletrônicos foram fracas nos primeiros meses deste ano. De janeiro a maio, a comercialização de itens de telecomunicações caiu 28% em volume em relação ao período de 2015, de acordo com a GfK. Os preços dessa categoria aumentaram 40% na comparação anual.

A volatilidade cambial foi um dos fatores que afetaram as margens do varejo. A Via Varejo, por exemplo, manteve promoções a despeito do custo e tem visto a margem bruta cair desde o quarto trimestre do ano passado, quando houve queda de 4,3 pontos, para 30,1%. Já o Magazine Luiza tem conseguido ganhos de margem ao iniciar a cobrança de frete e montagem de móveis. A margem bruta subiu 1,2 ponto no segundo trimestre, para 31,8%. A companhia tem se beneficiado ainda de uma liminar que suspendeu a cobrança de PIS e Cofins sobre eletrônicos.

 

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