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Varejo espera alta de até 6% nas vendas do Dia das Mães

Para impulsionar venda, 82% dos shoppings realizam campanhas para a data; varejo paulista deve faturar R$ 50 bilhões em maio, segundo Fecomércio

Bruna Furlani, Lucas Coelho (especial para o Estado) e Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2017 | 19h39

Apesar dos resultados ainda ruins do comércio acumulados no primeiro trimestre deste ano, com queda de 3% no período e o pior março desde 2003, de acordo com IBGE, o varejo está otimista para os Dia das Mães.

A desaceleração da inflação, o recuo do número de inadimplentes e a nova rodada de liberação dos recursos das contas inativas do FGTS, iniciada nesta sexta-feira, 12, são fatores levados em conta pelos lojistas para projetar um aumento de até 6% nas vendas em relação à mesma data do ano passado, que teve um desempenho fraco.

Os mais otimistas são os  varejistas de shoppings, que concentram lojas de artigos de vestuário, normalmente os itens mais vendidos no Dia das Mães. Projeções da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop) indicam um crescimento de vendas entre 5% e 6%, em relação a 2016, sem descontar a inflação.

"É um alento, mas não dá para soltar rojão", afirma o diretor de relações institucionais da Alshop, Luís Augusto Ildefonso da Silva. Ele pondera que há 14 milhões de desempregados no País e que a situação financeira das famílias é "delicada".

Para impulsionar as vendas, os shoppings voltaram a ampliar os investimentos em promoções. Pesquisa feita pela consultoria GS com 192 shoppings espalhados pelo País mostra que 82% deles realizaram campanhas do Dia da Mães neste ano. O resultado é apenas um ponto porcentual maior do que o ano anterior, mas segundo o diretor da consultoria, Fernando Gibotti, é importante porque indica uma reversão. "Desde de 2013, ano a ano, vinha diminuindo o número de shoppings que investiam em promoções. Mas agora essa fatia aumentou."

Gibotti explica que, como o fluxo de pessoas nos shoppings vinha caindo e muitas lojas fecharam, os empreendimentos tiraram o pé nos investimentos em campanhas promocionais. 

Neste ano, no entanto, o quadro começou a mudar. Mas o especialista ressalta que ainda existe muita cautela e os shoppings reduziram a exigência do valor do tíquete médio gasto em compras para fazer a troca, sinal de que a situação não é tão favorável.

Para incentivar as vendas do Dia das Mães, o Shopping West Plaza, localizado na Zona Oeste da capital, por exemplo, investiu em parcerias com restaurantes: oito estabelecimentos vão oferecer menus especiais para a data. Além disso, haverá trilha sonora e decoração personalizadas.

Moderação. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio), o varejo paulista deve faturar R$ 50 bilhões em maio - alta de 4% na comparação com 2016. Já na capital, as vendas devem alcançar R$ 16 bilhões no mês - crescimento de 5% na mesma base de comparação.

Nas projeções da Fecomércio, a expectativa é que o varejo saia de um patamar muito baixo. "Com o ganho de poder das famílias, elas aumentaram um pouco os gastos e reduziram o pessimismo", destaca Guilherme Dietze, assessor econômico da Fecomércio. 

Para Dietze, o crescimento esperado é pequeno, mas já representa uma sinalização positiva de ganho do poder de compra. A melhora no comércio está relacionada a indicadores de juros e inflação em baixa, reajustes de salários feitos com base na inflação passada e o recente acordo do cartão de crédito rotativo, que fez  a taxa de juros recuar nessa modalidade de pagamento.

Já a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que registrou queda no varejo paulistano em todos os meses de 2017 em relação a 2016, espera a interrupção da série de baixas. "Devemos ter um volume semelhante ao Dia das Mães do ano passado. Se a comparação for de zero por cento em maio, pode haver uma recuperação em junho, mesmo que modesta", afirma o economista-chefe da associação, Marcel Solimeo.

Solimeo acredita que a nova rodada de saques do FGTS, que começou sexta-feira, deve encorajar os consumidores. Mas os  presentes do Dias Das Mães serão bens de menor valor este ano, como roupas, acessórios, perfumes, flores e outros produtos de uso pessoal, prevê o economista da ACSP.

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