JF Diorio/Estadão
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Varejo lidera queda na informalidade do emprego no País

Estudo revela que em 10 anos fatia do trabalho informal na economia caiu de 55% para 40%, com queda de 54% para 38% no comércio

Márcia De Chiara, Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2014 | 21h37


A informalidade da economia brasileira, medida pelo emprego sem carteira assinada, despencou nos últimos dez anos e o comércio varejista, o principal empregador do País, foi o setor que registrou a maior queda, revela um estudo feito pela consultoria McKinsey a pedido do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV). A entidade, que completa dez anos e reúne os principais varejistas, acredita que a redução da informalidade abre espaço nos próximos anos para queda da carga tributária, que avançou no Produto Interno Bruto (PIB).

Em 2002, mais da metade (55%) dos brasileiros trabalhavam de maneira informal. Em 2012, essa fatia tinha recuado para 40%. Foi uma queda de 15 pontos porcentuais. “O País era recordista de informalidade”, afirma o presidente do IDV e da Lojas Riachuelo, Flávio Rocha.

Segundo Ari Kertesz, sócio da consultoria e responsável pelo estudo, apesar de o porcentual de informalidade ainda ser elevado, a redução teve reflexos positivos na produtividade e na riqueza gerada no País. Entre 2001 e 2011, o PIB per capita aumentou 2,5%. “Não existe atalho: não é possível aumentar a renda sem expandir a produtividade”, observa o executivo.

Entre os setores avaliados pelo estudo, o comércio liderou a queda na informalidade: em 2002, 54% dos trabalhadores eram informais e dez anos depois essa fatia era de 38%, uma redução de 16 pontos. O consultor Marcos Gouvêa de Souza, sócio da GS&MD e um dos fundadores do IDV, lembra que nos últimos dez anos o varejo ampliou de 18,2% para 26% a sua participação no PIB. Esse avanço foi acompanhado pela abertura de 811 mil lojas e 3,8 milhões de novos empregos formais.

Maísa de Almeida Linhares, de 22 anos, é uma trabalhadora que conseguiu ingressar no mercado formalmente e está feliz por poder se beneficiar do status de ter carteira assinada. Ela veio do Ceará para São Paulo em maio, em busca do primeiro emprego. Depois de entregar muito currículos em lojas e agências, no final de setembro, conseguiu uma vaga como promotora de vendas na rede de padaria e confeitaria Ofner, na loja da fábrica em Socorro, zona Sul de São Paulo. Era um período de experiência.

Nesta semana, Maísa recebeu a notícia de que seria efetivada pela empresa. “Fiquei muito feliz, muito mesmo”, conta. Maísa afirma que ter carteira assinada é importante, pois traz mais segurança à família. Seu marido, que chegou à capital paulista dois meses antes, trabalha como gesseiro e também está prestes a ser registrado.

Tributação. A redução da informalidade que houve nos últimos dez anos na economia brasileira foi acompanhada pelo crescimento da carga tributária. Em 2002, a carga tributária era 28,6% do PIB e em 2012 atingiu 36,4%. Segundo Rocha, do IDV, a redução da informalidade abre espaço para a queda carga tributária.

Nas contas de Kertesz, da McKinsey, se o País conseguisse aumentar a produtividade em 2 pontos porcentuais ao ano nos próximos cinco anos por meio da queda da informalidade, seria possível diminuir em 3 pontos porcentuais a carga tributária, mantendo a arrecadação.


União. A empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza e fundadora do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), vai comandar nos próximos dois anos a entidade que reúne 64 empresas varejistas que respondem por cerca de um quarto do faturamento do setor.

Uma das bandeiras de Luiza Helena, interlocutora assídua da presidente Dilma Rousseff, é reunir no IDV todas as outras entidades que falam hoje pelo varejo. “Queremos uma nova instituição que represente o varejo geral”, afirma a empresária.

Flávio Rocha, atual presidente do IDV, conta que a entidade prepara uma grande campanha publicitária, feita pela agência de publicidade Talent, para reforçar o papel institucional do varejo formal, que contrata trabalhadores, recolhe impostos, é organizado e tem escala. O mote da campanha, que terá um filme na TV e várias peças na mídia impressa dedicada a diferentes segmentos, é: “Varejo: onde a economia brasileira encontra o brasileiro.”

Rocha diz que o varejo é um dos maiores anunciantes, mas o IDV ainda não estava se valendo da força da mídia para “vender” a importância que o setor tem na economia brasileira.

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