Daniel Teixeira/Estadão - 28/3/2020
Daniel Teixeira/Estadão - 28/3/2020

Vendas do varejo crescem 1% em março ante fevereiro

Comércio varejista teve terceiro resultado positivo consecutivo, mostram dados do IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2022 | 09h14
Atualizado 10 de maio de 2022 | 11h42

RIO - O varejo brasileiro mostrou fôlego no primeiro trimestre do ano. As vendas cresceram 1,0% em março ante fevereiro, o terceiro resultado positivo consecutivo. Uma sequência de três taxas de crescimento não ocorria desde 2020, após o choque inicial provocado pela pandemia de covid-19, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgados nesta terça-feira, 10, pelo  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado surpreendeu analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Estadão/Broadcast, que esperavam uma alta mediana de 0,4%. Seis das oito atividades que integram o comércio varejista registraram crescimento: equipamentos e material para escritório informática e comunicação (13,9%), livros, jornais, revistas e papelaria (4,7%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (3,4%), combustíveis e lubrificantes (0,4%), móveis e eletrodomésticos (0,2%) e tecidos, vestuário e calçados (0,1%). Na direção oposta, houve perdas em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,2%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-5,9%).

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, houve elevação de 0,7% em março ante fevereiro. O segmento de veículos registrou queda de 0,1%, enquanto material de construção subiu 2,2%.

“O resultado positivo reforça nossas projeções de crescimento de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) de 2022, acima das previsões de mercado de 0,7%, segundo o último Boletim Focus divulgado em 2 de maio”, ressaltou Claudia Moreno, economista do C6 Bank, em nota. “Já no que diz respeito às vendas do varejo, apesar do primeiro trimestre positivo, nossa expectativa é de que elas continuem andando de lado ao longo do ano, dado o cenário de baixo crescimento econômico, juros elevados e inflação alta”, completou Moreno, que prevê estagnação (0%) nas vendas do varejo restrito em abril, mas alta de 0,3% no varejo ampliado no período.

Variante Ômicron

O crescimento do varejo em março surpreendeu positivamente, na esteira da redução de casos da variante Ômicron do coronavírus, melhora de gargalos de oferta e impulsos fiscais, mas a performance não muda a visão de que o setor enfrentará desafios à frente, avaliou o banco Goldman Sachs.

"A elevada inflação de dois dígitos, condições financeiras domésticas mais apertadas, confiança mais fraca de consumidores e empresários, persistente incerteza política, níveis recordes de endividamento das famílias e cada vez mais exigentes condições de crédito devem gerar ventos contrários para a atividade do varejo nos próximos meses", alertou o diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em relatório.

As vendas do comércio varejista cresceram 1,9% no primeiro trimestre de 2022 ante o quarto trimestre de 2021, após dois trimestres seguidos de recuos. O desempenho foi o melhor para este período do ano desde 2017, quando avançou 2,9%.

"Há uma serie de fatores que influenciam esse primeiro trimestre combinados. Um deles continua sendo uma base (de comparação) muito baixa que a gente tinha em dezembro de 2021, e essa base baixa acaba por impulsionar alguns setores", ressaltou Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE.

O pesquisador acrescenta que a melhora no emprego formal e a alta na renda no primeiro trimestre também ajudaram a aumentar as vendas.

"A (taxa de) desocupação ficou estável frente ao quarto trimestre do ano passado. Ela tem também um componente que é o da formalidade nessa estabilidade, e uma diminuição da informalidade. O outro ponto é que o rendimento médio real cresce de um trimestre para o outro", completou Santos.

Varejo ampliado

No varejo ampliado, as vendas subiram 2,3% no primeiro trimestre de 2022 ante o quarto trimestre de 2021, depois de dois trimestres negativos.

O desempenho poderia ter sido ainda melhor, não fosse o impacto da inflação, que tem prejudicado, sobretudo, os segmentos de supermercados e combustíveis, ressaltou Cristiano Santos, do IBGE.

“A inflação certamente tem, de fato, influência nos resultados neste momento. Estou falando nessa perspectiva da ponta, de fevereiro para março, mas é uma constante, sobretudo nos últimos dois meses”, disse Santos.

No mês de março, a inflação afetou as atividades de combustíveis e supermercados, mas também a de vestuário. A despeito da pressão de preços, a melhora global fez o volume de vendas ficar 2,6% acima do nível de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. No varejo ampliado, as vendas operam 1,7% acima do pré-covid.

O resultado, porém, ainda é sustentado por apenas quatro segmentos: artigos farmacêuticos operam em patamar 15,0% acima do pré-crise sanitária; material de construção, 12,7% acima; outros artigos de uso pessoal e domésticos, 8,8% acima; e supermercados, 2,7% acima.

Os veículos estão 5,6% aquém do nível de fevereiro de 2020; móveis e eletrodomésticos, 13,9% abaixo; vestuário, 10,4% abaixo; combustíveis, 7,0% abaixo; equipamentos de informática e comunicação, 6,1% abaixo; e livros e papelaria, 32,1% abaixo.

A recuperação do setor permanece heterogênea, afirmou Cristiano Santos.

“As (atividades) que estão abaixo do período pré-pandemia apresentaram recuperações em algum momento e depois voltaram também a estar abaixo ou caíram em relação ao pré-pandemia. O fato de tanto supermercados quanto farmacêuticos estarem acima do pré-pandemia naturalmente faz o indicador geral ficar mais alto, porque elas têm mais peso na pesquisa, sobretudo supermercados”, disse Santos. “As atividades de maior peso são as que estão acima do pré-pandemia, e ao longo do tempo, também por causa dessa recuperação, elas vão ganhando força (peso na pesquisa)”, completou.

Na comparação com março de 2021, o varejo cresceu 4,0% em março de 2022. Já o ampliado avançou 4,5%.

Em março, o varejo operava 3,5% abaixo do pico alcançado em outubro de 2020, enquanto o varejo ampliado estava em nível 4,5% aquém do ápice registrado em agosto de 2012.

(Colaborou Cícero Cotrim)

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