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Varejo reage à fusão da Sadia com a Perdigão

Supermercados temem nivelamento das condições de negociação entre as duas empresas e alta de preço

Márcia De Chiara e Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

A união da Sadia com a Perdigão preocupa o setor supermercadista, que já tem uma estratégia para resistir ao grande poder de fogo adquirido pela megacompanhia que acaba de nascer: "Vamos abrir espaço para as marcas menores", avisa o diretor de uma grande rede de supermercados.Diante da sensibilidade da questão, Nildemar Secches, agora copresidente do Conselho de Administração da Brasil Foods, nome da nova empresa, teve o cuidado de telefonar para clientes de peso como Pão de Açúcar e Carrefour, para explicar a operação, como revela hoje Sonia Racy na "Coluna Direto da Fonte", na página D2.A maior receptividade dos compradores, especialmente estrangeiros, para marcas menores, foi sentida nos últimos dias por Aderbal Arantes, presidente do Grupo Arantes, dono das marcas Hans, Eder e Sertanejo. Ele conta que fechou, nesta semana, exportações para distribuidores da Europa e do Japão que nunca tinham comprado produtos da empresa. "Esses negócios já refletem o movimento da fusão. Eles não querem ficar na mão de uma grande companhia", afirma o executivo. Ele acrescenta que movimento semelhante ocorre também entre os clientes domésticos, mas que ainda não foram fechados negócios. "As redes nacionais estão avaliando as possibilidades."O diretor comercial da Pif Paf Alimentos, Edivaldo Campos, líder no mercado de carnes congeladas em Minas Gerais, é outro empresário que acredita que a união de Sadia e Perdigão vai ampliar o mercado para fornecedores menores. "Todo o cliente quer ter mais de um fornecedor. Isso vai abrir oportunidades para nós tanto no mercado interno quanto no externo." Ele pretende aumentar a participação nos mercados em que está presente. Além de Minas, a empresa atua em São Paulo, Espírito Santo, Bahia e Goiás.O temor dos supermercados é que Sadia e Perdigão nivelem as condições de negociação em termos de prazos, preços e bonificações dadas aos clientes. Apesar da promessa de que as duas marcas permanecem independentes, na prática, elas vão pertencer a uma única companhia. "Esse impacto será inevitável", afirma o diretor de uma grande rede de supermercados.É exatamente para atenuar esse efeito que o varejo pretende ampliar a oferta de marcas alternativas. De acordo com supermercadistas, marcas regionais têm hoje capacidade de atender a demanda adicional por seus produtos. Os únicos itens em que a substituição será mais difícil são linguiças e salsichas, uma vez que as assinaturas da Sadia e da Perdigão são muito fortes.Sobre a união da Sadia com a Perdigão, João Sanzovo Neto, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), disse na segunda-feira, durante a abertura da feira do setor em São Paulo, que os supermercados confiam nos mecanismos de controle de defesa da concorrência para atenuar os impactos da fusão no mercado e impedir uma eventual alta de preços. "Também acreditamos que as empresas são maduras a ponto de saber que, se subirem os preços, vão surgir outros concorrentes no mercado", afirmou o empresário.

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