Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Varejo tem o pior Natal em 12 anos, diz Serasa

Aumento da inflação e desemprego foram cruciais para a queda no número de vendas, assim como a desconfiança do consumidor

DAYANNE SOUSA, LUIZ GUILHERME GERBELLI E MATEUS FAGUNDES, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2015 | 02h02

O desempenho do varejo brasileiro na semana do Natal retratou fielmente a piora do cenário econômico deste ano. Vários indicadores divulgados nesta segunda-feira mostram uma forte retração na data mais importante para o comércio.

Os dados da Serasa Experian apuraram um recuo de 6,4% nas vendas. Foi o pior resultado para o período desde a criação do indicador da empresa, em 2003.

A queda foi atribuída ao aumento da inflação e do desemprego, além da menor confiança do consumidor. "Essa combinação é fatal para o varejo", afirma Luiz Rabi, economista da Serasa Experian

O índice leva em conta o volume de consultas realizadas pelos estabelecimentos comerciais à base de dados Serasa entre os dias 18 e 24 de dezembro.

As vendas no varejo já vinham dando demonstração de fraqueza ao longo do ano. No Dia da Criança - considerado uma prévia do comércio natalino -, elas recuaram 4,7%. "Era esperado uma piora adicional no comportamento das vendas do Natal porque a economia e o cenário político se deterioraram", diz Rabi.

Os números da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) e da Boa Vista SCPC confirmaram a forte retração no varejo. A receita com as vendas de Natal caiu 14,7% (R$ 8,69 bilhões) em relação ao mesmo período do ano passado.

Para a assessoria econômica da Fecomércio-SP, o resultado confirma o cenário econômico de crise já antecipado por estimativas anteriores. "A inflação elevada, os juros altos e a piora no mercado de trabalho derrubaram a confiança do consumidor para o menor nível em 12 anos. A menor confiança vem se traduzindo em um comportamento mais cauteloso por parte do consumidor, que compra menos e evita novas dívidas", diz a nota técnica da Fecomércio-SP, que estima que 2016 deve continuar sendo um ano difícil para o varejo brasileiro.

O cálculo do volume de vendas para essa data tem como base uma amostra das consultas feitas no banco de dados da Boa Vista.

A prazo. A piora do varejo também ficou evidente nas vendas a prazo. Segundo o indicador do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), houve uma retração de 15,84% nas consultas em relação a 2014. Foi o segundo ano consecutivo de recuo e o pior resultado apurado dos últimos cinco anos.

"Nós já sabíamos que as pessoas gastariam menos, o que faz com que as vendas a prazo percam relevância", afirma Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. O Natal deste ano, afirma ela, foi mais "democrático", ou seja, repleto de presentes de menor valor, como roupas e calçados, sem a necessidade de utilização do crédito. "Nos nossos levantamentos, a maior parte das pessoas disse que pagaria as compras em dinheiro", diz Marcela.

Pelo indicador da CNDL, o Natal foi a data comemorativa com a maior retração nas vendas. Até então, o pior desempenho havia sido registrado no Dia dos Pais, quando o recuo foi de 11,21%.

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